A Logística contribuiu para a aparição da 4PL, que reduz custos e gera parcerias

A Logística contribuiu para a aparição da 4PL, que reduz custos e gera parcerias

30.09.2016

Este artigo foi enviado por Carlos Landi, que tem mais de 20 anos de experiência no mercado de logística e transportes. Neste material, ele trata do surgimento da 4PL, ou seja, a terceirização dos serviços já terceirizados pela indústria

Em um cenário mundial onde a logística aproxima cada vez mais um mercado globalizado e em uma nova realidade socioeconômica brasileira, estamos assistindo mudanças significativas na economia brasileira. Com o forte aumento da atividade econômica brasileira na última década e o fortalecimento dos BRIC’s provocando a atração de novas indústrias pode-se perceber a exponencial oferta de organizações no transporte de cargas. 

Uma das consequências deste aumento de oferta de transportadores é a diminuição dos preços praticados, confirmando as regras de mercado quando ocorre o desequilíbrio entre a oferta e a procura. Porém, o mesmo não se repete em relação aos custos, que são muito impactantes nas operações de transportes e logística, ocasionando reduções muito acentuadas na lucratividade das organizações do setor, especialmente no que se refere aos custos de distribuição nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.

O melhor preparo dos compradores de fretes aliados à recente descoberta do “Analista de Logística” fez com que as empresas incluíssem nas suas analises para a decisão aspectos mais técnicos e criteriosos, softwares que fazem o leilão automaticamente dentre as condições negociadas com os diversos fornecedores, exigiu cada vez mais do transportador a evolução na preparação e negociação de suas propostas de trabalho. Esta profissionalização na gestão sinalizou aos administradores do setor de transportes que a atuação em determinados nichos de mercado ou segmentos, tais como High Tech, automotivos e alta costura remuneraria de forma mais eficiente as suas operações. Dessa forma o transportador deu o start no uso dos KPI’s (Indicadores de Desempenho) e das análises de performance, ferramenta indispensável para a segmentação, viria de encontro com a queda de lucratividade enfrentada pelo setor.

Valor a mais

A partir desta situação percebeu-se que o transporte agregaria valor ao produto do cliente e mais, que se poderia escolher qual produto agregar valor (segmentação). A forte atuação das grandes transportadoras a jusante na cadeia de suprimentos, ou seja, procuram atuar cada dia mais próximo dos clientes finais de cada produto. Atualmente o que se vê no mercado é o amadurecimento organizacional de empresas transportadoras que alcançaram o nível de Operadores Logísticos e não somente escolheram o produto a se agregar valor, mas também quando e como realizar, através dos serviços e eficiência oferecidos pela Logística. Transformaram-se então de empresas transportadoras endógenas, que são aquelas voltadas apenas para os próprios processos, para empresas de soluções logísticas, customizando seus processos e serviços às necessidades dos seus clientes, permitindo a estes estarem focados no seu core business que na maioria dos casos é desenvolver e fabricar produtos.

As empresas não deixaram de explorar o serviço de transportes, mas aumentaram seu portfólio de produtos/serviços. Atualmente sendo prestados desde In House, ou classificado como Intralogística atuando na área de movimentação interna e armazenagem. Obrigando-as a ampliarem seus conhecimentos e habilidades através das mais modernas técnicas em movimentação, transporte, controle e até a Logística Reversa. Diversas atividades são desenvolvidas, como coletas, consolidação, transferência, Cross Docking, Distribuição e Entrega. Elas conseguiram então medir e entender em atividades, segmentos ou até mesmo regiões onde seriam menos competitivas apenas como transportadoras e passaram a fazer subcontratações das outras empresas que detinham maior Know-How para a atividade em questão, focando sempre na otimização da cadeia e das necessidades do seu cliente que cada dia está mais exigente.

Multi conhecimento

Para tanto passaram a utilizar-se de profissionais com conhecimentos em outras áreas tais como economia e legislação tributária e a trabalhar fortemente nos detalhes, obtendo assim vantagens anteriormente desconhecidas, como diferenciação em regimes tributários. Aliando à notória capacidade de seus profissionais passou-se a trabalhar com ferramentas tais como ERP, WMS, TMS, a troca de arquivos EDI e mais recentemente com a implantação dos Webservices e com isto permitindo o gerenciamento com menor tempo de resposta do maior gargalo da Logística no momento, que é a informação.

As empresas subcontratadas, relativamente menores que os tradicionais Operadores Logísticos não são naturais concorrentes dos seus contratantes mais sim futuros parceiros, pois este novo modelo resulta em melhoria nos indicadores de desempenho como Lead Time, Transit Time e melhores prazos de atendimento com consequência também no aumento da capilaridade da rede.

Estamos diante do surgimento da 4PL, ou seja, a terceirização dos serviços já terceirizados pela indústria, pois os grandes operadores não pretendem mais investir em ativos, mesmo porque a atividade logística não mais comporta que se aumentem os seus custos operacionais, e a solução encontrada é a do fortalecimento das parcerias. Para que os transportadores em transição ou que recém concluíram este processo possam operar com os clientes identificados como nichos de mercado, se torna essencial que desenvolvam vários outros prestadores de serviços e gerenciem toda a cadeia conforme as exigências do contratante.

(*)       Carlos Eduardo Landi é formado em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior pelas Faculdades Integradas de Valinhos. Foi gestor de grandes empresas, como Meridional Cargas, Transville Transportes e Serviços, Expresso Javali e MTR Transportes somando cerca de 20 anos no segmento de logística e transportes. Possui MBA em Logística e Supply Chain Management pela Fundação Getúlio Vargas (em curso). Atualmente é diretor Comercial da Webencomendas Transportes de Cargas.