Principais tendências tecnológicas em automação para 2018

24.04.2018

*Craig Resnick, Grupo de Conselheiros da ARC, consultoria parceira da Schneider Electric

Ao longo dos últimos anos, houve avanços significativos e adoção de novas tecnologias de automação. Esse ritmo de mudança e subsequente adoção continuarão a aumentar neste ano. Muitos dos recentes avanços incluem industrializar algumas tecnologias de consumo populares. Isso ajuda a acelerar a convergência em curso da tecnologia da informação (TI) e tecnologia operacional (TO) para apoiar a transformação digital.

Em 2018 haverá um aceleramento desta convergência de TI/TO, particularmente em relação à aceitação e proliferação da Internet Industrial das Coisas (IIoT) – soluções habilitadas, cibersegurança, computação de borda, realidade aumentada (RA), inteligência artificial (IA), analítica, gêmeos digitais e progresso para automação de processos abertos (OPA).

Sem ordem específica, listo as cinco principais tendências de tecnologia que terão maior impacto tanto em automação de processos quanto em automação discreta, ainda nesse ano: 

Inteligência na borda

À medida que as cargas de trabalho de computação com muitos dados são empurradas para a borda da rede, a gestão remota, em tempo real, e uma infraestrutura de borda simplificada serão cruciais para o sucesso. Questões operacionais, como gestão de desempenho de ativos para melhorar a produção irão levar o usuário final a implementar a computação de borda.

Nas companhias que se beneficiam do autogerenciamento, as infraestruturas de computação de borda serão capazes de desbloquear dados adicionais que foram anteriormente presos dentro de máquinas e processos. Elas também serão capazes de identificar ineficiências de produção, comparar qualidade de produtos com condições de produção mais rapidamente, além de identificar potenciais problemas de segurança, produção ou de ambiente. A gestão remota irá permitir que os operadores internos se conectem em tempo real com especialistas externos para resolver, ou evitar, eventos de inatividade. Isso ajudará a liberar o pessoal de operação e de TI para realizar seus respectivos papéis, tirando melhor proveito de seu conhecimento específico.

Avanços na gestão de cibersegurança industrial

Avanços adicionais nas soluções de gestão de cibersegurança industrial serão implementados para atender às exigências específicas de equipamento, aplicativos e plantas de automação industrial, em especial ao que diz respeito às restrições rigorosas nas atualizações de sistema e comunicações de rede. Esses avanços irão incorporar as soluções de gestão de cibersegurança de TI do tipo comercial, mas de uma forma que limite qualquer impacto negativo na operação do sistema de controle.

Essas novas soluções irão estender sua funcionalidade para incluir ativos industriais não-baseados em PC e protocolos do sistema de controle. Além disso, também irão reconhecer e gerenciar regulações de cibersegurança específicas da indústria, como NERC CIO e elevar as novas estratégias integradas que combinam esforços de segurança de TI, TO e IIoT, maximizando o uso de todos os recursos de cibersegurança corporativa.

Visão de automação de processo aberto ganha tração

A visão de automação de processo aberto (OPA) irá ganhar tração adicional com o Fórum de Automação de Processo Aberto adicionando novos usuários finais e fornecedores.

Idealizado pela ExxonMobil e gerenciado pelo The Open Group, esta iniciativa pretende construir um protótipo de prova de conceito, estabelecer padrões e, por fim, construir sistemas comerciais de automação de processo aberto que minimizem tecnologias específicas do fornecedor e aumentem o retorno total de investimento no sistema, enquanto mantêm rigorosa segurança e proteção. Isso será alcançado ao especificar sistemas altamente distribuídos, modulares e extensíveis em uma arquitetura padrão para componentes interoperáveis, com uma cibersegurança intrínseca.

O objetivo é, eventualmente, substituir os grandes programas reformados de automação CapEx por programas OpEx menores que requerem menos análise, engenharia e planejamento. A atualização para os sistemas abertos será realizada como uma atividade de manutenção. Estes novos sistemas consistirão em componentes menores, mais modulares e mais facilmente distribuídos, que irão capacitar melhor a equipe técnica, reduzindo o nível de treinamento necessário e facilitando benefícios adicionais por meio de colaboração.

Fusão dos mundos Físico e Virtual

As novas tecnologias estão acelerando a fusão dos mundos físico e virtual, permitindo a criação de novos modelos de negócios. Os fabricantes estão introduzindo novos modelos de negócios sob os quais vendem serviços digitais em conjunto com os produtos. Exemplos incluem gêmeos digitais, que são réplicas virtuais de um produto físico igualmente desenhado, construído e preservado. Os fabricantes aumentam o serviço de gêmeos digitais com monitoramento de condições em tempo real e análises prévias. Os clientes usam o equipamento e os produtos juntamente com manutenção e otimização operacional baseadas em análises preditivas e prescritivas.

As tecnologias de realidade aumentada (RA) são usadas para conectar o design virtual ao equipamento físico para treinamento e visualização do operador, assim como para manutenção da máquina. Graças aos IIoT, nuvem, Big Data e análises operacionais, as soluções de aprendizado de máquina baseadas em inteligência artificial (IA) podem ser utilizadas para fazer mudanças operacionais sem a necessidade de programação.

Análise Distribuída

As análises industriais distribuídas habilitadas para IoT irão estender ainda mais o processamento de dados e computação próximos da ou diretamente na fonte de dados, por meio de dispositivos inteligentes, de comunicação bidirecional, como sensores, controles e entradas (gateways). Em várias instâncias, os dados para análises distribuídas vêm de dispositivos conectados com IIoT localizado na borda da rede de operações.

Estes dispositivos podem ser alocados perto ou dentro de uma grande variedade de máquinas e equipamento de borda, como robôs, veículos de frota e microrredes distribuídas. A parte analítica pode ser inserida em dispositivos distribuídos ou criada em um ambiente de nuvem e então enviadas à borda para execução. De uma perspectiva operacional, segurança, privacidade, custo relacionado a dados e restrições regulatórias são as principais razões para manter o processo de análises em uma infraestrutura local.

Esse tipo de análise pode ajudar no suporte à geração de receita de métodos, para atender clientes novos e também os já existentes. Isso inclui otimização de ativos por meio de gestão de infraestrutura e recursos melhorada, proativa, e altamente automatizada; satisfação e retenção mais alta ao engajar clientes com produtos e serviços de alto valor, onde e quando eles precisarem, e flexibilidade e capacidade de resposta por meio de decisões orientadas por dados.

Recomendações

A transformação digital de sucesso será um pré-requisito para organizações industriais competirem eficientemente e maximizarem desempenho de negócios. Ao procurar por um lugar para começar o processo de transformação digital, o gerenciamento do desempenho de ativos (incluindo evitar inatividade não programada) é uma ótimo opção.

Usuários finais e OEM semelhantes devem adotar, ao invés de resistir, a transformação digital. Embora a crescente convergência da tecnologia operacional e tecnologia da informação sirva como um facilitador, esta transformação digital ainda deve adotar ativos legados, já que as plantas não irão “substituir e jogar fora” os equipamentos antigos, mas ainda em bom funcionamento, sem causa financeira. Os ativos legados devem ser uma parte integrada às soluções para transformação digital, sempre que possível.

Ter sucesso aqui irá exigir mente aberta para tecnologias, abordagens e modelos de negócios emergentes, além de colaboração próxima entre grupos de TO e TI em seus respectivos níveis de operação. Embora nem todas as tecnologias, soluções e abordagens sejam certas para todas as empresas, é importante entender o que está acontecendo, o que está disponível hoje, o que deve estar disponível amanhã e o que as organizações próximas estão fazendo, de modo a ser capaz de determinar o melhor foco para seus limitados recursos financeiros e humanos.

*Craig Resnick é vice-presidente da ARC Advisory Group, consultoria parceira da Schneider Electric. O profissional cobre os mercados de PLC, PAC, HMI, OIT e PC Industrial, além das indústrias de Embalagens, Plástico e Borracha para a ARC. As áreas de enfoque do Craig também incluem Gestão de Produtos, OEE, Software HMI, Plataformas de Automação e Sistemas Embarcados. Craig tem 30 anos de experiência em vendas, marketing, desenvolvimento de produtos e gestão de projetos no mercado industrial, adquirida com os principais fornecedores de PLC, sistemas de controle de processos, equipamento de transmissão de energia e dispositivos de campo.