Reciclagem que gera valor para o país

 Reciclagem que gera valor para o país

05.05.2026

Por Simone Carvalho

A reciclagem deixou de ser apenas uma alternativa sustentável para se tornar um dos pilares centrais no debate sobre futuro ambiental do planeta. Em meio ao avanço da crise climática e o crescimento acelerado na geração de resíduos, discutir formas eficientes de reaproveitamento passa a ser uma urgência coletiva. Mais do que uma prática ambientalmente correta, reciclar representa hoje um compromisso indispensável com a preservação de recursos, a redução de impactos ambientais e a construção de uma sociedade mais consciente sobre o próprio consumo.

De acordo com um levantamento realizado pelo Movimento Plástico Transforma em parceria com o Qualibest, 64% dos brasileiros já separam com frequência resíduos orgânicos e recicláveis em casa. Entretanto, os respondentes enfrentam a falta de coleta seletiva onde moram. Mesmo com a dificuldade de destinação do resíduo separado, o levantamento mostra que a reciclagem já está inserida na vida de mais de metade dos brasileiros, não apenas em uma questão ambiental, mas também quando o assunto é economia.

A reciclagem de plásticos integra uma cadeia produtiva forte, capaz de gerar emprego, renda, inovação e colabora com vantagens competitivas em diferentes indústrias. O setor de reciclagem vem se consolidando como um vetor importante da economia circular no país, movimentando bilhões de reais anualmente e contribuindo para o fortalecimento da indústria nacional.
Outro dado importante, divulgado, no ano passado, é o Índice de Reciclagem Mecânica do Plástico no Brasil. Segundo o levantamento o país reciclou cerca de 21% dos plásticos pós-consumo em 2024, o que resultou na produção de 1,012 milhão de toneladas de resina plástica reciclada (PCR). Esse desempenho colocou o país entre os maiores recicladores de plástico da América Latina e movimentou cerca de R$ 4 bilhões em faturamento no ano, evidenciando a relevância econômica do setor.

Além da questão financeira, a reciclagem de plástico é fundamental na geração de empregos. Somente em 2024, o setor registrou a criação de mais de 20 mil novos postos de trabalho diretos, um crescimento de aproximadamente 7,7% em relação ao ano anterior. Esses empregos estão distribuídos ao longo de toda a cadeia, desde organizações de catadores de materiais recicláveis e centrais de triagem até indústrias de reprocessamento e transformação, reforçando o caráter social e produtivo da atividade.

Outro aspecto relevante, é a crescente demanda da indústria por matéria-prima reciclada. Setores como alimentos e bebidas, higiene pessoal, cosméticos, limpeza doméstica e agroindústria ampliaram de forma significativa o uso de resinas recicladas, impulsionados por compromissos ambientais, exigências regulatórias e metas corporativas ligadas à economia circular. Esse movimento foi reforçado pela criação do Decreto nº 12.688, assinado em 21 de outubro de 2025, que institui o Sistema Nacional de Logística Reversa de embalagens plásticas, estabelecendo metas obrigatórias de reciclagem e uso de plástico reciclado (PCR). Medidas como essas contribuem para otimizar custos produtivos e estimular investimentos em tecnologias de reciclagem no país, assim como aspectos de sustentabilidade.

Portanto, investir na reciclagem de plástico vai além do cuidado ambiental, trata-se de uma estratégia econômica para o desenvolvimento sustentável do país. O fortalecimento da coleta seletiva, o incentivo à logística reversa e o apoio às cadeias de reciclagem podem ampliar a geração de renda, promover a inclusão social e colocar o Brasil como protagonista na transição para uma economia mais circular, forte e competitiva.

*Simone Carvalho, Integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.    https://www.plasticotransforma.com.br/