Dois brasileiros e a revolução da conveniência nos Estados Unidos

Dois brasileiros e a revolução da conveniência nos Estados Unidos

21.05.2026

 

Dois brasileiros e a revolução da conveniência nos Estados Unidos

The SmAll Market, que já inaugurou sua primeira loja em Miami, quer abraçar o segmento de mini mercados em condomínios na maior economia do planeta

 

*Por Lucas Ceschin e Rodolpho Damasco

 

O Brasil já provou ao mundo sua capacidade de gerar empresas de tecnologia, serviços e conveniência com potencial de se tornarem unicórnios. Nubank, iFood e 99 são exemplos de negócios que nasceram em um ambiente desafiador e se tornaram referências globais. Essa experiência moldou uma geração de empreendedores acostumados a inovar em condições adversas e a entregar soluções que simplificam a vida das pessoas em qualquer lugar do planeta.

 

No Brasil, a conveniência de mercados dentro de condomínios residenciais já é realidade há anos. O morador se acostumou a ter acesso imediato a produtos básicos sem precisar se deslocar. Máquinas e um mix de produtos pensado para estes momentos traz uma nova perspectiva de facilidade e conforto. Só que, nos Estados Unidos, a maior economia global, essa prática ainda não está consolidada. Pelo contrário, inclusive. 

 

O que existe nos EUA é um mercado de varejo autônomo que movimenta cerca de US$ 41 bilhões por ano, segundo a National Automatic Merchandising Association (Nama). Estes números estão concentrados, porém, nas máquinas de venda automática, as tradicionais que comercializam bebidas ou produtos industrializados. Ou seja, os micro mercados localizados em condomínios aparecem como uma evolução natural: ambientes completos de varejo, sem funcionários, operando 24 horas por dia, com pagamento por aproximação e inteligência de dados cuidando da experiência.

 

O principal diferencial está, sobretudo, no mix de itens e na estrutura: gôndolas abertas, produtos frescos, bebidas, snacks e itens de conveniência, operando 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem nenhum funcionário presente.

 

The SmAll Market: da ideia à operação

 

Foi nesse espaço que decidimos atuar. Em março de 2026, inauguramos em Miami a primeira unidade do The SmAll Market (TSM). Somos, portanto, uma empresa americana em operação, com um modelo replicável e pensado para escalar pensado e desenvolvido por dois brasileiros.

 

Até o fim de 2026, nossa expectativa é abrir 10 novas unidades, consolidando a presença em diferentes condomínios residenciais da Flórida e expandindo para outras regiões dos Estados Unidos. Estamos apenas construindo o início da nossa trajetória. Esse caminho está sendo trilhado ao lado de investidores que validam a nossa tese e trazem relevância ao negócio, já que são nomes fortemente reconhecidos em cenário internacional:

 

  • Leandro Balbinot, CTO da Whole Foods Market e Vice-Presidente de Tecnologia da Amazon;
  • Trevor Haynes, ex-Presidente da América do Norte e CEO interino global do Subway;
  • Jardel Cardoso, fundador da CredPago e da Billor, startup de operação de caminhões nos EUA.

 

São nomes de peso que conhecem profundamente o desafio de escalar negócios – e o mercado dos Estados Unidos – e que apostaram no TSM ainda na fase inicial.

 

Uma visão ambiciosa

 

Nosso objetivo não é apenas participar do mercado de unattended retail. Queremos definir como esse mercado funciona dentro dos condomínios residenciais nos Estados Unidos. Assim como Uber e Airbnb se tornaram sinônimos das categorias que criaram, trabalhamos para que o TSM seja reconhecido como o padrão de conveniência em micro mercados residenciais.

 

Acreditamos que nossa experiência prévia se completa para buscar este resultado promissor: reunimos o cofundador do James, startup brasileira de logística e conveniência, e o cofundador da Ophir Capital, que atua em estruturação de operações de crédito. Há visão de produto e foco na experiência do consumidor agregada da capacidade de escalar operações complexas em ambientes competitivos. Unicórnios não nascem apenas de boas ideias: eles se consolidam quando encontram um mercado forte e são executados com disciplina e estratégia.

 

*Lucas Ceschin é cofundador do James Delivery, negócio que foi vendido ao Grupo Pão de Açúcar e atende 1 milhão de clientes mensais. Já Rodolpho Damasco é cofundador da Ophir Capital, gestora com mais de R$ 300 milhões sob administração e captação de US$ 60 milhões. Também fundador da R5 Investimentos e criador do Genera Capital Engine (GCE).