Modernização industrial é desafio para ampliar a competitividade do Brasil

Modernização industrial é desafio para ampliar a competitividade do Brasil
José Velloso, presidente-executivo da ABIMAQ

22.10.2026

O fortalecimento da indústria brasileira depende de investimentos em tecnologia, modernização do parque produtivo, qualificação profissional e políticas de longo prazo. Essa foi uma das principais mensagens apresentadas por José Velloso, presidente-executivo da ABIMAQ, durante plenária da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE).

Ao analisar as transformações no comércio internacional, Velloso destacou que as tensões geopolíticas, as barreiras comerciais e a reorganização das cadeias globais de fornecimento aumentaram a importância da segurança econômica e da autonomia tecnológica. Nesse ambiente, a competitividade deixou de depender apenas de preço, qualidade e prazo de entrega e passou a exigir maior capacidade de adaptação, diversificação de fornecedores e planejamento estratégico.

Na avaliação do executivo, o Brasil enfrenta desafios estruturais relacionados ao baixo nível de investimentos, à produtividade e à perda de densidade tecnológica da indústria de transformação. Ele ressaltou que a idade média das máquinas instaladas no parque industrial brasileiro é de 14 anos, condição que dificulta a incorporação de tecnologias avançadas e amplia a distância em relação a países mais industrializados.

Velloso também chamou a atenção para o crescimento da participação de equipamentos importados no mercado nacional e para a necessidade de fortalecer a produção local. Segundo ele, a dependência externa em áreas estratégicas pode aumentar a vulnerabilidade do país diante de rupturas logísticas, restrições comerciais e disputas internacionais. Para enfrentar esse quadro, defendeu uma agenda estruturada de competitividade, com estabilidade macroeconômica, melhoria do ambiente de negócios, educação, formação técnica e ampliação dos investimentos produtivos.

Outro ponto comentado foi a transformação digital e a transição para a Indústria 5.0, modelo que combina inteligência artificial, robôs colaborativos, conectividade e profissionais qualificados. Para Velloso, a tecnologia deve ampliar a capacidade de análise e apoiar a tomada de decisões pelos trabalhadores, em vez de se limitar à automação de tarefas. A integração entre inovação, qualificação e sustentabilidade também pode contribuir para reduzir custos operacionais e elevar a produtividade.

Ao tratar das possibilidades de aplicação da inteligência artificial na indústria de defesa, o executivo destacou que a adoção de recursos computacionais locais pode começar com investimentos relativamente acessíveis, sem exigir, necessariamente, grandes estruturas próprias de data centers. Durante a plenária, foi mencionada a possibilidade de iniciar projetos na faixa de R$ 150 mil, com capacidade de expansão para estruturas mais robustas conforme as necessidades das empresas.

A apresentação também ressaltou a importância de construir uma agenda de desenvolvimento industrial que ultrapasse os ciclos de governo, com metas verificáveis, indicadores e mecanismos de acompanhamento. A proposta é dar continuidade às políticas estruturantes e criar condições para ampliar a produtividade, a inovação e a participação brasileira em cadeias de maior conteúdo tecnológico.

Para a indústria nacional, a combinação entre modernização produtiva, desenvolvimento de competências e planejamento estratégico é fundamental para responder às mudanças no ambiente internacional e ampliar a capacidade de competir em mercados cada vez mais exigentes.