NRF 2026: onde o futuro parou de prometer e começou a entregar Por Marco Stefanini (*)

NRF 2026: onde o futuro parou de prometer e começou a entregar Por Marco Stefanini (*)

05.02.2026

A NRF 2026 reforçou uma percepção que já se desenhava: o varejo entrou definitivamente na era da execução. Os debates saíram do campo das tendências e passaram a tratar de ações concretas, com foco em eficiência, personalização e resultado. Tecnologia, inteligência artificial e integração de canais deixaram de ser promessas para se tornarem pilares estruturais da operação varejista.

A inteligência artificial foi um dos temas mais recorrentes — não mais como novidade, mas como instrumento essencial para operar em um mercado cada vez mais dinâmico. As aplicações práticas se multiplicam: otimização logística, precificação em tempo real, atendimento personalizado, curadoria de produtos e apoio à decisão em todos os níveis da jornada. A IA passa a ser uma aliada estratégica, desde que utilizada com propósito claro e sustentada por dados de qualidade.
 

O conceito de agentic commerce, que define agentes de IA capazes de atuar de forma autônoma na jornada de compra, sinaliza um novo patamar. Não se trata de substituir o fator humano, mas de automatizar decisões que simplificam processos e reduzem atrito. A tecnologia atua em segundo plano, tornando a experiência mais fluida, integrada e, sobretudo, relevante para cada consumidor.
 

Outro ponto importante foi a valorização da loja física como parte central da estratégia de marca. Longe de perder espaço, o ambiente presencial ganha novas funções: conecta canais, promove relacionamento e amplia a percepção de valor. Em vez de competir com o digital, a loja se integra a ele, servindo como hub de experiência, distribuição e conexão emocional. O varejo físico se reinventa ao focar no que o digital não entrega: presença, toque, envolvimento.
 

Chamou atenção também o destaque dado à eficiência operacional e à agilidade na execução. O mercado já entendeu que não basta ter boas ideias — é preciso transformar ideias em resultados mensuráveis. Nesse contexto, o Brasil foi citado como referência em inovação aplicada. Empresas brasileiras levaram à feira exemplos concretos de como IA, automação, dados e omnicanalidade já estão sendo utilizados para gerar impacto real nos negócios. O pragmatismo brasileiro, fruto de um mercado desafiador, tem sido visto como vantagem competitiva.
 

As soluções voltadas ao pequeno varejo também ganharam visibilidade. Com plataformas mais acessíveis, uso inteligente de dados e ferramentas intuitivas, esse segmento passa a ter condições reais de competir com os grandes players. A tecnologia democratiza o acesso à inovação, mas o diferencial continuará sendo a capacidade de entender o cliente e executar com consistência.
 

A NRF 2026 foi um marco ao deixar claro que o varejo não precisa mais esperar pelo futuro. Ele está sendo construído agora, nas decisões do presente. Quem for capaz de combinar visão com agilidade, dados com sensibilidade e tecnologia com estratégia, estará mais bem preparado para crescer em um cenário de alta complexidade e baixa previsibilidade.
 

Mais do que adotar ferramentas, o desafio está em transformar modelos mentais. O cliente exige personalização, velocidade e coerência. O mercado exige eficiência, escala e inovação. E as empresas precisam entregar tudo isso ao mesmo tempo — com inteligência, simplicidade e foco. Essa é a realidade do varejo em 2026. E a boa notícia é que ela já começou.

(*) Marco Stefanini é fundador e CEO Global do Grupo Stefanini.