O papel da lubrificação industrial na redução de riscos em operações críticas-

O papel da lubrificação industrial na redução de riscos em operações críticas-
Alessandro Silva é Coordenador de Desenvolvimento de Negócios da FUCHS, maior fabricante independente de lubrificantes e produtos relacionados do mundo.

12.08.2026

Um recente levantamento realizado para o relatório “Wrench Time: Maturidade e Performance na Manutenção Industrial”, da IndustriALL, revelou que apenas 25% a 35% da jornada das equipes de manutenção no Brasil é efetivamente dedicada à execução técnica, e o restante do tempo é consumido por deslocamentos, esperas, burocracias e falhas de planejamento. O estudo também aponta que uma única hora de parada não planejada pode gerar perdas médias de US$ 125 mil, considerando interrupções na produção, desperdício de insumos e impactos logísticos.

Os números evidenciam um cenário familiar para quem atua em operações industriais, pois manter os equipamentos disponíveis é um desafio cada vez maior. Em setores como mineração, geração de energia, siderurgia, papel e celulose ou cimento, equipamentos operam de forma praticamente ininterrupta e são submetidos a cargas elevadas, temperaturas extremas e ambientes altamente agressivos. Por isso, paradas não planejadas representam um risco para a produtividade, a competitividade e até mesmo a continuidade da operação.

Nesse contexto, a lubrificação industrial exerce um papel fundamental na confiabilidade dos ativos, pois embora represente uma parcela relativamente pequena dos custos de manutenção, este processo impacta diretamente não apenas a disponibilidade do maquinário utilizado no dia a dia desse setor e a segurança das atividades, mas também a cadeia operacional como um todo.

Quando um equipamento apresenta problemas, é comum que a atenção se concentre no componente danificado. Entretanto, em muitas situações, a causa das falhas pode estar relacionada a fatores como lubrificação, utilização de um produto inadequado para a aplicação, contaminação por água ou partículas sólidas, intervalos incorretos de troca, mistura de produtos incompatíveis e ausência de monitoramento da condição do óleo, que contribuem para o comprometimento do desempenho dos ativos industriais.

Importância da lubrificação industrial

A gestão da lubrificação industrial pressupõe uma análise aprofundada das condições operação das máquinas em que serão utilizados. Cada aplicação apresenta desafios próprios, combinando, principalmente, fatores como altas temperaturas, cargas extremas, velocidades elevadas, contato com água e exposição constante a partículas contaminantes.

Neste sentido, lubrificantes formulados para aplicações especiais desempenham um conjunto de funções que garantem disponibilidade, desempenho e segurança aos equipamentos em ambientes de elevada exigência operacional. Além de formar uma película protetora capaz de minimizar o desgaste entre componentes, esses produtos auxiliam na dissipação do calor gerado pelo funcionamento contínuo, protegem contra corrosão e oxidação, evitam a formação de depósitos, resistem à degradação química e mantêm suas propriedades mesmo quando expostos a condições extremas.

Características como essas são determinantes para preservar a performance dos ativos ao longo do tempo, reduzindo a probabilidade de falhas inesperadas especialmente nos momentos em que a operação exige o máximo dos equipamentos.

Vale ressaltar, no entanto, que um produto desenvolvido para determinado ambiente pode não entregar o mesmo desempenho em outro, ainda que ambos pertençam ao mesmo segmento industrial. Por isso, a seleção do lubrificante deve considerar as condições específicas de cada operação e as recomendações do fabricante, além de estar integrada a um programa estruturado de monitoramento e manutenção.

Gestão da manutenção de ativos

Em nome da competitividade, empresas vêm buscando, cada vez mais, substituir a lógica predominantemente corretiva dos processos de manutenção por estratégias voltadas à confiabilidade operacional, com o objetivo de evitar a ocorrência de falhas e, consequentemente, reparos não planejados aos ativos.

A escolha do lubrificante industrial adequado influencia diretamente a eficiência das estratégias de manutenção adotadas por uma companhia. Produtos desenvolvidos especificamente para aplicações severas permitem ampliar os intervalos entre relubrificações ou trocas, reduzir a necessidade dessas intervenções corretivas e aumentar a vida útil de componentes de alto valor agregado, como rolamentos, engrenagens, redutores e sistemas hidráulicos.

O resultado disso é uma operação mais previsível, com maior disponibilidade dos ativos e menor exposição a custos decorrentes de paradas emergenciais. Considerando que cada hora de indisponibilidade pode representar perdas significativas de produção e receita, a lubrificação correta atua como um mecanismo preventivo, capaz de proteger não apenas os equipamentos, mas até mesmo a continuidade do negócio. Tal abordagem permite que a gestão da lubrificação seja incorporada aos indicadores de desempenho da operação, contribuindo para decisões mais assertivas sobre manutenção, planejamento de paradas e utilização dos ativos.

Desafios para a lubrificação na indústria

Os desafios da lubrificação neste setor também evoluíram nos últimos anos. Um dos mais relevantes é a crescente escassez de mão de obra qualificada para executar atividades que envolvem lubrificantes industriais. São frequentes os casos em que equipes reduzidas precisam administrar um número cada vez maior de ativos, tornando ainda mais importante a adoção de procedimentos padronizados e boas práticas.

A maior dificuldade, neste cenário, é garantir que o produto correto seja aplicado no equipamento adequado, na quantidade exata e no intervalo recomendado. Pequenos desvios nesse processo podem comprometer o desempenho do lubrificante, ampliar o desgaste dos componentes e reduzir significativamente a confiabilidade dos equipamentos.

Outro ponto crítico é o controle da contaminação, frequentemente apontado como uma das principais causas da degradação prematura dos lubrificantes. A entrada de água, poeira, partículas metálicas ou outros contaminantes altera as propriedades físico-químicas do produto, o que diminui sua capacidade de proteção e acelera processos como corrosão, abrasão e oxidação.

Além destes fatores, há, ainda, uma pressão crescente por operações mais eficientes e sustentáveis, o que faz as empresas adotarem estratégias para reduzir o consumo de energia, estender a vida útil dos ativos, gerar uma menor quantidade de resíduos e utilizar recursos racionalmente, sem que se perca confiabilidade operacional ao longo do processo. O desafio está em equilibrar metas de produtividade, sustentabilidade e redução de custos sem comprometer a proteção dos equipamentos que sustentam a operação.

Superar estes obstáculos requer que a lubrificação industrial seja tratada como componente da estratégia de gestão de ativos de uma companhia, e não simplesmente como uma atividade rotineira de manutenção. Em aplicações críticas, confiabilidade é sinônimo de segurança, produtividade e competitividade e, por isso, é fundamental que a indústria considere esse processo como uma aliada na mitigação de riscos, aumento da disponibilidade dos equipamentos e geração de valor para o negócio.