O que o corte nos incentivos tributários realmente significa para a indústria
17.01.2026
O movimento não é pontual — é estrutural
A Instrução Normativa não cria apenas um novo custo. Ela muda a lógica do incentivo.
Ao substituir isenções e alíquotas zero por reduções lineares, o governo sinaliza que:
- incentivos deixam de ser exceção estratégica
- passam a ser tratados como custo fiscal a ser reduzido
- a previsibilidade do investimento produtivo diminui
Para a indústria, isso significa mais incerteza no planejamento de médio e longo prazo.
O impacto vai além do percentual do imposto
O debate não é “1,26% é pouco ou muito”.
O ponto central é:
- máquinas e equipamentos têm alto valor unitário
- são investimentos de longo ciclo
- normalmente financiados ou amortizados ao longo de anos
Qualquer aumento, mesmo aparentemente pequeno:
- altera payback
- adia decisões de investimento
- reduz competitividade frente a países que mantêm alíquota zero
A decisão não é “importar mais caro”, é investir menos.
Ex-Tarifário perde força como instrumento de política industrial
Historicamente, o Ex-Tarifário:
- compensava lacunas da indústria nacional
- permitia acesso a tecnologia
- apoiava modernização e ganho de produtividade
Com a nova regra:
- o benefício deixa de ser pleno
- o custo volta parcialmente
- a burocracia permanece
Resultado: menos estímulo e mesma complexidade.
A sequência tende a ser:
- aumento do custo do investimento
- postergação ou redução de projetos
- menor eficiência produtiva
- repasse gradual ao preço final
- pressão inflacionária
Ou seja, não é um tema só de comércio exterior. É um tema de competitividade sistêmica.
O sinal para o investidor industrial
Do ponto de vista de quem decide investimento, a leitura é simples:
- ambiente mais caro
- mais burocrático
- menos previsível
Mesmo que existam exceções legais, o sinal geral é de retração, não de estímulo.