Pressões financeiras aumentam importância da inspeção de fim de garantia no setor fotovoltaico

Pressões financeiras aumentam importância da inspeção de fim de garantia no setor fotovoltaico
Por Vinicius Gibrail, Diretor da Divisão de Produtos Solares e Comerciais da TÜV Rheinland na América do Sul

11.05.2026

O uso da energia solar aumenta no Brasil e segundo o Balanço Energético Nacional 2025 (BEN 2025), da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), em 2024, a geração de energia solar cresceu 39,6% em comparação com o ano anterior, considerando o total gerado pela geração centralizada, formada por grandes usinas fotovoltaicas, e pela MMGD (Microgeração e Minigeração Distribuída). Ainda segundo o balanço, em 2024 a energia solar representava 9,3% da matriz elétrica brasileira, no ano anterior o percentual foi de 7%.  

Paralelo ao aumento da geração de energia solar cresce também a pressão financeiro sobre as fazendas solares e usinas fotovoltaicas. Desde novembro de 2024, quando ocorreu o aumento na alíquota de importação de painéis solares, por meio da Resoluçao Gecex nº 666, que elevou a tarifa de importação dos módulos fotovoltaicos de 9,6% para 25%, o setor precisa otimizar cada vez mais sua operação para manter o equilíbrio financeiro.  

Em 2025 o curtailment (restrição de geração) que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) faz para preservar a segurança e confiabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional) afetou o segmento fotovoltaico. Segundo o próprio ONS, 20,6% de toda a energia solar e eólica gerada em 2025 não pode ser utilizada. De acordo com a consultoria Volt Robotics, o curtailment gerou um prejuízo de R$ 6,5 bilhões para os agentes geradores, sendo que 72% da energia não usada, devido ao corte, foi de origem solar.  

Ainda em 2025 foi sancionada a Lei 15.269, novo marco legal do setor elétrico brasileiro, com o veto ao dispositivo que garantia um ressarcimento amplo dos cortes de geração eólica e solar.  

Já no fim de janeiro deste ano o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aprovou em sua 233ª Reunião Ordinária a alteração na Resolução GECEX nº 512/2023, que prevê o regime de redução da alíquota do imposto de importação de bens de capital (BK) e bens de informática e de telecomunicações (BIT). A decisão na prática, elevou o preço de equipamentos importados para projetos de energia solar, como inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos com potência acima de 75kW. A alíquota de importação dos inversores solares, por exemplo, passou de 12,6% para 20% e dos BESS subiu de 16% para 20%.  

O aumento das tarifas de importação é justificado pela necessidade de proteger a indústria nacional e a sanção ao dispositivo que garantia um ressarcimento amplo dos cortes de geração eólica e solar na Lei 15.269 visa não aumentar encargos aos consumidores. Mas também podem gerar aumento de custos para as empresas do setor que precisam ter mais planejamento e estratégia para manterem uma operação com equilíbrio financeiro.  

Ao mesmo tempo o país ainda precisa de energia limpa, pois segundo o Caderno de Demanda e Eficiência Energética do Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, da EPE, o consumo energético no Brasil deve crescer a uma média anual de 2,1% até 2034.   

 

Papel da inspeção de fim de garantia  

O desenvolvimento de um projeto de uma fazenda solar ou de uma usina fotovoltaica considera diversos fatores, entre eles a capacidade de geração de energia, o ponto de interconexão na rede, o CAPEX (Capital Expenditure) envolvido e o OPEX (Operating Expenditure) esperado.  

Mas ao longo dos anos os módulos fotovoltaicos perdem a capacidade de gerar energia. A degradação acontece devido a fatores como exposição à radiação UV, variações térmicas, excesso de unidade, estresse elétrico ou mesmo microfissuras nas células. A inspeção de fim de garantia (End of Warrabty – EOW) promove a avaliação precisa do rendimento e da degradação dos módulos fotovoltaicos, o que o torna um documento vital para a tomada de decisão.  

Este serviço pode ser utilizado como um registro técnico para eventuais correções e adequações durante a vigência da garantia ou ainda como um documento formal para reclamações quanto ao não atendimento de parâmetros contratuais, e pode ser ampliado a outros equipamentos como inversores, string boxes, skids, entre outros.     

Alguns fabricantes podem realizar uma inspeção EOW como parte dos seus serviços, mas esta atividade pode gerar conflitos de interesses, segundo é descrito na norma internacional ISO/IEC 17020. Portanto, a execução destes serviços, por uma entidade de terceira parte, antes do vencimento da garantia, é essencial para assegurar que a degradação do módulo fotovoltaico aconteça conforme informado pelo fabricante.  

A inspeção EOW também é uma ferramenta importante na gestão da qualidade, uma vez que minimiza o risco de possíveis correções em grande escala e de investimentos não esperados no ativo em questão.   

O processo de verificação é importante para assegurar que os equipamentos estejam e se mantenham em pleno funcionamento. E diante do aumento da pressão de custos na aquisição de equipamentos e riscos operacionais, a vistoria de final de garantia deve ser incorporada para promover a viabilidade econômica e a performance de fazendas e usinas solares.