Reduzindo custos de engenharia através da utilização de softwares

Reduzindo custos de engenharia através da utilização de softwares

27.10.2017

Por Thiago Turcato

Todas as empresas, independente do porte, estão passíveis de sofrer com desperdícios. Sem processos bem desenhados e controlados, o desperdício acontece e, consequentemente, os custos operacionais são elevados. De maneira geral, a melhor forma de evitar as perdas e ter um bom controle dos processos é investir em tecnologia a fim de se facilitar a medição e comparação de dados, e, com isso, obter melhoria contínua de processos, práticas e da eficiência. 

Neste aspecto, o cenário da automação industrial no Brasil ainda é incipiente, com boa parte das empresas ainda realizando suas operações de maneira manual. Estudos apontam que apenas cerca de 30% das indústrias brasileiras adotam a tecnologia em nível moderado ou alto. Com exceção das grandes corporações, a maior parte das companhias considera alto o custo para automatizar suas operações, sem conseguir visualizar o valor que a tecnologia embarcada agrega ao negócio. 

Com a economia brasileira ainda em crise, as indústrias tendem a barrar investimentos elevados, sem a visão de que muitas vezes, tal investimento na otimização de processos possibilita ganhos em qualidade e redução de custos. Como por exemplo, a utilização de softwares. 

Atualmente, os principais hardwares de automação industrial contam com softwares, seja para sua configuração, manuseio ou manutenção. O mercado oferece uma grande quantidade deles para cada tipo de equipamento, uma vez que cada fabricante possui softwares específicos, o que muitas vezes acaba tornando complexo o processo de integração, o que pode elevar o custo de mão de obra para a indústria.   

Como então seria possível ter um ganho em produtividade com o uso de softwares? O ideal é que a empresa busque trabalhar com um número reduzido de fornecedores. Ou mesmo procurar por um que consiga atender todas as pontas, visando uma total integração dos equipamentos. Esta solução permite a centralização das informações de programação em uma única plataforma, trazendo visualização amigável de dados e, consequentemente, eliminando custos desnecessários com análise de problemas e reparação de erros de programação dos componentes. 

É importante destacar que a utilização de componentes de diferentes fabricantes exige ainda uma grande versatilidade dos profissionais envolvidos, uma vez que a comunicação poderá envolver de rede e linguagem distintos. Se a operação contempla o máximo de equipamentos de um mesmo fabricante, que ofereça um software capaz de gerenciá-los no mesmo programa, o ganho em produtividade dos colaboradores também aumenta, concretizando assim o cenário ideal da automação industrial, onde a profissionalização da mão de obra acontece em conjunto com equipamentos e soluções, possibilitando assim bons resultados em quantidade, qualidade e redução de custos. 

Como exemplo, podemos citar uma integração entre um CLP (Controlador Lógico Programável), que faz todo o controle dos equipamentos de automação industrial da operação, com um Inversor de Frequência. O primeiro necessita de um software que realize a programação, enquanto que o segundo pode ser programado diretamente no hardware. Neste caso, o software é capaz de realizar a integração, fazendo com que o CLP controle o Inversor de Frequência, atendendo a necessidade de operação da indústria e fornecendo dados de ambos os hardwares, permitindo a realização de diagnósticos para um melhor funcionamento.

Uma vez que os equipamentos estejam integrados por meio do software, os benefícios que começam a surgir vão além da redução na relação homem/hora dentro do custo da operação. Com a comunicação entre todos os componentes que integram uma solução facilitada, o gerenciamento de dados e a construção do sistema de automação se tornam mais rápidos e assertivos.

Mas esta integração pode ser ainda mais simples e eficaz. Existem no mercado diversas soluções que realizam a programação e configuração integrada de diferentes componentes como IHMs, CLPs, servo-amplificadores, inversores de frequência, motion controllers e robôs. E aqui reforçamos novamente que quanto menor o número de fornecedores destes equipamentos, mais simples será sua integração.

Observados todos estes pontos, é possível concluir que a escolha dos fornecedores de automação industrial é vital e deve considerar a integração dos equipamentos aos softwares oferecidos para sua gestão. Tal cuidado poderá trazer economia na relação homem/hora assim como ganhos futuros relacionados à produtividade e qualidade.

Thiago Turcato é Bacharel e Mestre em Engenharia Elétrica pelo Centro Universitário da FEI e atua na área de automação industrial desde 1997. Atualmente é supervisor de suporte técnico da divisão de Automação Industrial da Mitsubishi Electric do Brasil.