Agro paulista amplia presença na União Europeia e reforça papel estratégico do acordo Mercosul–UE

21.01.2026

A União Europeia consolidou-se, em 2025, como o segundo maior destino das exportações do agronegócio paulista, movimentando US$ 4,14 bilhões e respondendo por 14,4% das vendas externas do setor. O desempenho confirma a relevância do bloco europeu para São Paulo e projeta um cenário de expansão a partir da formalização do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Dados da balança comercial indicam que, em 2025, as exportações do agro paulista para o mercado europeu cresceram 5% em relação ao ano anterior, mantendo a UE atrás apenas da China como principal destino dos embarques. A expectativa para 2026 é de aceleração desse ritmo, impulsionada pela entrada em vigor do acordo, que reduz barreiras tarifárias e amplia o acesso a mercados de alto valor agregado.

Países Baixos como hub logístico europeu

Dentro desse fluxo comercial, os Países Baixos assumem papel central como porta de entrada dos produtos paulistas na Europa. Em 2025, mais de 1 milhão de toneladas foram exportadas para o país, gerando cerca de US$ 1,3 bilhão em receita.

O destaque logístico se explica pela função estratégica do Porto de Roterdã, que redistribui cargas para mercados como Alemanha, Reino Unido, França e países nórdicos. Levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) aponta que os principais produtos enviados foram suco, celulose e itens do complexo sucroalcooleiro, reforçando o peso de commodities com escala e competitividade internacional.

Esse corredor logístico tem sido utilizado por empresas e cooperativas paulistas como estratégia de ampliação de mercado, permitindo ganhos de eficiência e acesso a consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e conformidade ambiental.

Valor agregado, rastreabilidade e exigências europeias

O avanço das exportações para a União Europeia ocorre em um contexto de exigências crescentes em relação a padrões fitossanitários, sustentabilidade e rastreabilidade. Para produtores brasileiros, especialmente os de médio porte organizados em cooperativas, o mercado europeu representa tanto uma oportunidade quanto um desafio estrutural.

A valorização de frutas, cafés especiais, carnes e produtos com certificações reforça a necessidade de investimentos em governança, controle de qualidade e adaptação a protocolos internacionais. Ao mesmo tempo, esse movimento contribui para elevar o patamar tecnológico e organizacional do agronegócio paulista.

Cooperação tecnológica e inovação no agro

Além do comércio, a relação entre São Paulo e os Países Baixos tem avançado no campo da cooperação técnica e da inovação. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento mantém diálogo com instituições holandesas para adaptação de tecnologias, desenvolvimento de pesquisas conjuntas e atração de investimentos voltados à superação de gargalos produtivos.

Essa cooperação sinaliza uma mudança de abordagem: mais do que exportar volume, o agronegócio paulista busca exportar valor, combinando produtividade, tecnologia e alinhamento a padrões internacionais.

O que esse movimento sinaliza

A ampliação das exportações para a União Europeia e a formalização do acordo Mercosul–UE indicam uma reconfiguração das relações comerciais do agro brasileiro, com maior integração a cadeias globais mais exigentes e sofisticadas.

Para a P&S, esse avanço reforça o papel do agronegócio paulista como plataforma de exportação qualificada, em um cenário no qual logística, acordos comerciais e adequação regulatória passam a ser tão estratégicos quanto a produção em si.