Além da origem renovável: por que rastreabilidade e governança se tornaram diferenciais dos bioplásticos

Além da origem renovável: por que rastreabilidade e governança se tornaram diferenciais dos bioplásticos
rastreabilidade e governança se tornaram diferenciais dos bioplásticos

22.07.2026

A discussão sobre materiais sustentáveis evoluiu rapidamente nos últimos anos. Se antes bastava comprovar que um plástico era produzido a partir de matéria-prima renovável, hoje o mercado exige muito mais. Fabricantes de embalagens, grandes marcas de consumo e órgãos reguladores querem saber de onde vem essa matéria-prima, como ela foi produzida e quais critérios ambientais, sociais e de governança acompanharam toda a cadeia.

Nesse cenário, a rastreabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito de competitividade.

O I'm green™ bio-based, da Braskem, é um exemplo de como essa transformação vem sendo conduzida na prática. Além da utilização do etanol de cana-de-açúcar como matéria-prima renovável, a empresa estruturou mecanismos de controle que envolvem uso eficiente dos recursos naturais, certificações independentes e governança da cadeia de fornecedores.

Uso eficiente da terra

Um dos principais questionamentos relacionados aos bioplásticos é o impacto do cultivo agrícola sobre a produção de alimentos. A preocupação gira em torno do chamado Land Use, indicador que avalia a ocupação de áreas agrícolas destinadas às matérias-primas renováveis.

Segundo a Braskem, toda a produção de eteno renovável utilizada no I'm green™ ocupa menos de 0,02% das terras cultiváveis do Brasil, percentual que busca demonstrar o baixo impacto territorial da operação.

Outro ponto destacado pela empresa é o cumprimento do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE), que restringe o cultivo em áreas ambientalmente sensíveis, como Amazônia e Pantanal, direcionando a expansão para áreas já antropizadas e pastagens degradadas do Centro-Sul.

A cadeia também aproveita o próprio bagaço da cana para geração de energia térmica e elétrica nas usinas de etanol, reduzindo a necessidade de fontes energéticas externas.

Como comprovar que um plástico é realmente renovável?

Ao contrário do plástico reciclado, que muitas vezes apresenta diferenças visuais, o polietileno renovável possui exatamente as mesmas características físicas do polietileno de origem fóssil. Na prática, é impossível distinguir um do outro apenas pela aparência.

Por isso, a comprovação depende de análises laboratoriais.

A Braskem utiliza a metodologia internacional ASTM D6866, baseada na medição da concentração do isótopo Carbono-14,