Automação acessível impulsiona adoção de robôs colaborativos na indústria brasileira

Automação acessível impulsiona adoção de robôs colaborativos na indústria brasileira
Entre os investimentos ambientais mais importantes estão a plataforma “chainge”; de reciclagem de plásticos técnicos e a propriedade parcial de uma empresa que produz óleo a partir de resíduos plásticos.

07.07.2026

A busca por produtividade, a escassez de mão de obra especializada e a necessidade de maior flexibilidade operacional estão impulsionando uma mudança importante no cenário da automação industrial. Cada vez mais empresas têm adotado robôs colaborativos, ou cobots, como alternativa para automatizar operações específicas sem a necessidade de grandes projetos ou mudanças estruturais significativas.

Durante décadas, a robótica industrial esteve associada a grandes linhas de produção e investimentos elevados, cenário que contribuiu para a percepção de que a automação seria uma realidade restrita a grandes empresas. Embora os robôs industriais continuem sendo fundamentais em aplicações que exigem alta velocidade, elevada repetibilidade e movimentação de cargas pesadas, a evolução das tecnologias colaborativas abriu novas possibilidades para operações de menor complexidade.

Os cobots foram desenvolvidos para atender demandas diferentes das encontradas em células robotizadas tradicionais. Sua proposta não é substituir os robôs industriais, mas ampliar o acesso à automação em aplicações onde fatores como simplicidade de implementação, flexibilidade e retorno sobre o investimento possuem peso decisivo na tomada de decisão.

Esse movimento vem ganhando espaço em setores como alimentos e bebidas, farmacêutico, embalagens, metalmecânico, eletrônico e logística. Nesses segmentos, tarefas como abastecimento de máquinas, pick and place, montagem leve, embalagem, inspeção de qualidade e manipulação de peças podem ser automatizadas de forma relativamente rápida, sem exigir alterações significativas na infraestrutura produtiva.

Um dos fatores que explicam o crescimento dos cobots é justamente a possibilidade de automatizar processos que, até pouco tempo atrás, permaneciam manuais. Em muitos casos, a comparação não ocorre entre um robô industrial tradicional e um robô colaborativo, mas entre automatizar ou continuar executando determinada atividade manualmente. Essa mudança de perspectiva tem contribuído para acelerar o retorno sobre investimento em projetos de automação. Ao reduzir barreiras de entrada e simplificar a implementação, os cobots permitem que empresas obtenham ganhos de produtividade, qualidade e padronização de processos sem a necessidade de investimentos compatíveis com grandes células robotizadas.

Outro aspecto que tem impulsionado a adoção dessa tecnologia é a crescente necessidade de flexibilidade. Com mercados cada vez mais dinâmicos, lotes menores e maior personalização dos produtos, muitas empresas passaram a buscar soluções capazes de acompanhar mudanças frequentes de processo. Nesse contexto, a facilidade de reprogramação e adaptação dos cobots se torna uma vantagem competitiva relevante.

Mais do que uma evolução tecnológica, a expansão dos cobots mostra uma mudança de mentalidade dentro das fábricas. Em vez de concentrar esforços apenas em grandes projetos, muitas empresas passaram a enxergar valor na automação de operações específicas, capazes de gerar ganhos rápidos de produtividade e eficiência.

Para Marco Santos, especialista do time RBTX da igus do Brasil, a principal mudança não está apenas na tecnologia disponível, mas na forma como as empresas passaram a enxergar a automação.

“Durante muito tempo, muitas indústrias acreditaram que automatizar significava realizar grandes investimentos e projetos complexos. O que estamos observando hoje é um movimento diferente. Cada vez mais empresas estão identificando oportunidades em processos específicos e buscando soluções que entreguem retorno rápido, flexibilidade e facilidade de implementação. Os cobots têm um papel importante nesse cenário porque permitem que a automação seja acessível a um número muito maior de empresas”, afirma.

Segundo especialistas da igus, essa transformação também está impulsionando o crescimento de plataformas que simplificam o acesso às tecnologias de automação. Um exemplo é a RBTX, ecossistema que reúne diferentes soluções, componentes e aplicações em um único ambiente, permitindo que empresas avaliem alternativas de automação de forma mais rápida e transparente.

À medida que a indústria busca aumentar sua competitividade em um cenário cada vez mais dinâmico, a tendência é que a automação deixe de ser vista como um grande projeto isolado e passe a fazer parte da evolução contínua das operações. Nesse contexto, tecnologias colaborativas e modelos que democratizam o acesso à automação devem desempenhar um papel cada vez mais relevante na transformação digital da indústria brasileira.

Afinal, para muitas empresas, a jornada rumo à Indústria 4.0 não começa com uma grande linha robotizada, mas com a decisão de automatizar, de forma simples e inteligente, uma única operação.