Bioplásticos e alimentos: entendendo o uso integrado da terra

Bioplásticos e alimentos: entendendo o uso integrado da terra
Bioplásticos e alimentos: entendendo o uso integrado da terra

02.10.2026

A produção de plásticos de origem renovável pode ocorrer em conjunto com a agricultura  destinada à alimentação. Dados sobre o uso da terra no Brasil mostram que a produção de  matérias-primas para bioplásticos ocupa uma parcela muito pequena das áreas agrícolas e está  inserida em sistemas que podem integrar diferentes culturas e atividades produtivas.

O tema está no centro do debate sobre “alimentos versus combustíveis”, baseado na ideia de  que o cultivo de matérias-primas de origem biológica reduziria a área disponível para a  produção de alimentos. Na prática, porém, a experiência brasileira revela uma dinâmica mais  ampla, marcada pela integração de diferentes cadeias de valor.

Segundo dados do MapBiomas, apenas 3,7% das áreas agrícolas brasileiras são destinadas  ao cultivo de cana-de-açúcar, principal matéria-prima utilizada na produção de etanol no país. Como resultado da alta produtividade dessa cultura e um processo eficiente, o bagasso da  cana e o etanol desempenham importante papel para a segurança energética do Brasil,  sendo responsáveis por 16% da matriz energética brasileira. Ao mesmo tempo, o país é o  maior produtor e exportador de açúcar no mundo, responsável por 24% da produção mundial  de açúcar e 52% das exportações. No caso do I’m green™ bio-based, da Braskem, a demanda de matéria-prima representa apenasapenas 0,03% dos 273 milhões de hectares de  áreas agrícolas brasileiras. Isso demonstra que bioplásticos podem ser produzidos em escala  comercial sem representar pressão significativa sobre o uso da terra.

Cana-de-açúcar integra diferentes cadeias produtivas 

A cana-de-açúcar é um exemplo de aproveitamento integral da biomassa. A mesma planta  pode gerar açúcar para alimentação, etanol para transporte, matéria-prima para plásticos de  fonte renovável, bioeletricidade a partir do bagaço e insumos para outras cadeias produtivas,  como nutrição animal. Esse aproveitamento múltiplo aumenta a eficiência do uso da terra e  amplia a geração de valor por hectare cultivado.

Além disso, a produção de cana no Brasil utiliza sistemas de rotação de culturas durante  os ciclos de renovação dos canaviais, com produtos como soja, feijão e amendoim. Em  São Paulo, responsável por aproximadamente 50% da produção brasileira de cana-de  açúcar, essa rotação com leguminosas é uma prática comum. Dessa forma, a estrutura  agrícola existente cria oportunidades para a produção complementar, ampliando a  diversidade produtiva do sistema e contribuindo para a recuperação do solo e para o  abastecimento alimentar.

Essa integração é particularmente relevante para a discussão sobre os plásticos de origem  renovável. A produção de matéria-prima para esses materiais não significa,  necessariamente, retirar terras destinadas à produção de alimentos. Ao contrário, a  utilização integrada das áreas agrícolas para múltiplas aplições combinada com a alta  produtividade da cana, reduz a necessidade de expansão territorial para atender diferentes  demandas da sociedade.

Aproveitamento de subprodutos amplia eficiência 

A integração também ocorre dentro do próprio processo produtivo. Na fabricação de etanol,  subprodutos e resíduos podem retornar ao solo como fertilizantes orgânicos, contribuindo para  a ciclagem de nutrientes e reduzindo a dependência de insumos sintéticos. Quando cultivada  em áreas degradadas, a cana também pode contribuir para o acúmulo de carbono e para a  recuperação da produtividade do solo. 

Outro exemplo está na pecuária. O excesso de levedura rico em proteínas resultante da  produção de etanol pode ser utilizado na alimentação animal. Dessa maneira, um subproduto  industrial é aproveitado em outra cadeia produtiva, sem a necessidade de criar áreas agrícolas  adicionais exclusivamente para essa finalidade. 

Produção pode ser ajustada à demanda por açúcar e etanol 

Outro aspecto importante é a flexibilidade da produção de cana. Uma mesma usina produz  açúcar e etanol e, a quantidade destinada à fabricação de cada um desses produtos varia  de acordo com as condições de mercado e o equilíbrio entre oferta e demanda, além de  respeitar os limites técnicos de produção, que permite a usina variar a produção de açúcar  e etanol entre 40% e 60% e 60% e 40%

Historicamente, a proporção da produção de açúcar e etanol no Brasil é bem equilibrada,  sendo praticamente dividida ao meio. . Essa flexibilidade reforça a ideia de que a produção  de matérias-primas renováveis não deve ser analisada como uma atividade isolada ou  necessariamente concorrente com a produção de alimentos. Pelo contrário, ela aumenta a  resiliência da cadeia produtiva, permitindo que a mesma matéria-prima atenda diferentes  necessidades econômicas e sociais ao longo do tempo.

Uso da terra precisa ser analisado além da lógica da competição 

Para áreas de compras e ESG, a avaliação do impacto territorial continua sendo um aspecto  importante na escolha de matérias-primas renováveis. Mas, cada vez mais, a discussão vai  além da quantidade de terra utilizada e passa a considerar como essa terra é administrada e  quais mecanismos existem para garantir uma produção responsável. 

É nesse contexto que critérios de rastreabilidade, conformidade ambiental e respeito aos  direitos humanos ganham relevância para empresas que utilizam matérias-primas renováveis,  sendo necessários mecanismos de governança capazes de garantir que essa produção ocorra  de forma responsável. 

Na cadeia do I’m green™ bio-based, a Braskem aplica essa visão integrada por meio do  Programa de Compra Responsável de Etanol (PCRE).. O programa busca assegurar que os  benefícios associados aos materiais renováveis estejam acompanhados de boas práticas ao  longo da cadeia de suprimentos, promovendo maior rastreabilidade da matéria-prima e  avaliando temas relacionados à conformidade ambiental, direitos humanos, segurança

alimentar e gestão responsável do território. O objetivo é que a produção de etanol, além de  eficiente do ponto de vista produtivo, também gere valor ambiental e social, reforçando o  papel da bioeconomia como um modelo baseado no uso responsável dos recursos naturais.

Uma abordagem integrada para o uso da terra

A experiência brasileira indica que a produção de plásticos de origem renovável pode ser  desenvolvida em conjunto com a produção de alimentos. Quando inserida em sistemas  agrícolas integrados 

e submetida a critérios de sustentabilidade, a produção de biomassa pode coexistir com  diferentes culturas e contribuir para aumentar a eficiência do uso da terra. 

Mais do que uma disputa entre alimentos e matérias-primas para a indústria, o desafio está em  desenvolver sistemas capazes de produzir alimentos, materiais renováveis, energia e  benefícios ambientais de forma integrada. 

Nesse contexto, a questão deixa de ser simplesmente quanto de terra é utilizado para produzir  bioplásticos e passa a considerar como essa terra é utilizada, quais sistemas agrícolas estão  envolvidos e quais benefícios são gerados ao longo de toda a cadeia. 

Para saber mais sobre o polietileno de etanol da cana-de-açúcar, visite o site I’m green™ bio  based: I'm green bio-based.  

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