Ciberataques avançam sobre a indústria e colocam a continuidade operacional em risco na América Latina

Ciberataques avançam sobre a indústria e colocam a continuidade operacional em risco na América Latina

06.04.2026

O avanço dos ataques cibernéticos na indústria latino-americana deixou de ser uma preocupação restrita à área de TI e passou a impactar diretamente a operação das fábricas.

Dados recentes indicam que, apenas em fevereiro de 2026, organizações industriais na região sofreram, em média, 3.110 ataques por semana — um crescimento de 33% em relação ao ano anterior. Mais do que números, esse cenário já se traduz em paralisações produtivas, atrasos logísticos e perdas financeiras relevantes.

A mudança mais significativa está no tipo de risco.

Se antes os ataques estavam concentrados em sistemas corporativos, hoje a convergência entre TI e Tecnologia Operacional (TO) amplia a superfície de exposição. Na prática, isso significa que um ataque pode sair da rede administrativa e atingir diretamente linhas de produção, equipamentos e sistemas críticos.

O setor manufatureiro torna-se, assim, um alvo estratégico.

Cada hora de inatividade impacta custos, prazos e competitividade — o que transforma a indústria em um ambiente altamente sensível a ataques como ransomware, alterações não autorizadas de sistemas e falhas na cobertura de segurança.

Esse movimento já se reflete no chão de fábrica.

Relatórios recentes indicam que cerca de um quinto dos sistemas industriais na América Latina registraram tentativas de bloqueio de objetos maliciosos, evidenciando que as ameaças estão cada vez mais próximas dos ativos operacionais.

O ponto crítico, no entanto, não está apenas na ameaça — mas na visibilidade.

Ambientes industriais frequentemente operam com equipamentos de diferentes gerações, ativos sem atualização, conexões não documentadas e ciclos de manutenção reduzidos. Nesse cenário, a ausência de um inventário confiável dificulta a priorização de riscos e compromete a capacidade de resposta.

É nesse contexto que empresas como a Rockwell Automation reforçam a necessidade de uma abordagem mais estruturada para a cibersegurança industrial, baseada em visibilidade completa dos ativos e gestão do ciclo de vida dos sistemas.

Segundo a companhia, a capacidade de identificar o que está conectado, em que condição e com qual nível de exposição torna-se fundamental para reduzir riscos sem comprometer a operação.

Mais do que ferramentas isoladas, a tendência aponta para a integração entre monitoramento, análise de risco e planejamento operacional — uma mudança que posiciona a cibersegurança como parte integrante da estratégia industrial.

O desafio para a indústria latino-americana é claro:

equilibrar continuidade operacional com proteção em um ambiente cada vez mais conectado — e, consequentemente, mais exposto.

Nesse cenário, a cibersegurança deixa de ser uma camada adicional e passa a ser um elemento estrutural da produtividade industrial.