Confiança da indústria avança pelo terceiro mês, mas cenário ainda exige cautela
27.02.2026
A confiança da indústria brasileira voltou a subir em fevereiro, marcando o terceiro avanço consecutivo. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), apurado pelo FGV IBRE, alcançou 96,7 pontos, com melhora tanto na percepção do momento atual quanto nas expectativas para os próximos meses.
O movimento indica um ambiente de negócios um pouco mais favorável, com estoques próximos do nível considerado normal e perspectivas melhores no médio prazo.
Sinais de recuperação, mas sem euforia
A melhora foi disseminada: 12 dos 19 segmentos industriais pesquisados registraram aumento de confiança.
O indicador de situação atual avançou para 97,4 pontos, refletindo maior avaliação positiva dos negócios. Já o índice de expectativas subiu para 96 pontos, indicando maior otimismo quanto à produção futura.
Outro dado relevante foi o aumento da utilização da capacidade instalada para 81,6%, sinalizando retomada gradual da atividade.
Mas o cenário ainda pede cautela. A demanda atual mostrou leve recuo e as expectativas de emprego diminuíram após meses de alta.
Macro ainda pesa
Segundo o FGV IBRE, a indústria se beneficia de alguns fatores:
• inflação mais controlada
• mercado de trabalho resiliente
• câmbio mais favorável
• expectativa de queda de juros
Por outro lado, a política monetária ainda restritiva e o crédito caro continuam limitando investimentos e expansão mais forte da produção.
O que significa para o setor industrial
Para empresas de manufatura, o momento é de transição.
Os dados indicam:
???? retomada gradual da confiança
???? estoques equilibrados
???? produção prevista em alta
???? emprego ainda incerto
Na prática, a indústria parece mais otimista — mas ainda sem acelerar investimentos de forma significativa.
Leitura P&S
A confiança é um indicador antecedente importante. O avanço recente sugere que a indústria pode entrar em um ciclo de recuperação mais consistente, caso juros e inflação sigam em trajetória favorável. Para fornecedores, fabricantes e integradores de tecnologia, o momento é de observar demanda e preparar capacidade produtiva para uma possível retomada mais forte no segundo semestre.