Consumidor brasileiro acelera transformação do e-commerce com foco em conveniência, social commerce e compras internacionais
06.07.2026
O consumidor brasileiro está redesenhando o varejo digital. Mais conectado, exigente e acostumado a pesquisar preços em diferentes plataformas, ele impulsiona tendências que vão desde o crescimento do social commerce até a expansão das compras internacionais e da inteligência artificial aplicada à experiência de compra.
É o que revela o DHL E-Commerce Trends Report 2026, estudo realizado com mil consumidores brasileiros, que aponta um mercado cada vez mais orientado pela conveniência e pela busca por experiências rápidas, transparentes e sem atritos.
Um dos destaques é a consolidação das redes sociais como canais efetivos de venda. O TikTok já foi utilizado para compras por 69% dos consumidores entrevistados, seguido por Instagram (67%) e Facebook (59%). O comportamento atravessa todas as gerações, mostrando que o social commerce deixou de ser uma tendência exclusiva do público mais jovem para se tornar um novo canal de consumo.
O Brasil também aparece como o quarto maior mercado mundial de compras realizadas pelo TikTok, atrás apenas de Malásia, Arábia Saudita e Reino Unido.
Outro movimento que continua crescendo é o comércio internacional. A China permanece como principal origem das compras dos brasileiros, citada por 82% dos entrevistados, seguida pelos Estados Unidos (56%). O principal atrativo continua sendo o preço competitivo, mas a oferta de produtos indisponíveis no mercado nacional também pesa na decisão de compra.
Apesar do interesse, a experiência ainda enfrenta obstáculos. Taxas alfandegárias, custos de frete e pouca previsibilidade nos prazos continuam sendo fatores que desestimulam o consumidor. Segundo o levantamento, 79% dos entrevistados afirmam ter abandonado compras nos últimos meses devido a cobranças inesperadas.
A inteligência artificial também começa a ocupar espaço na jornada de compra, mas com prioridades bem definidas. Em vez de recomendações de produtos, os consumidores demonstram maior interesse em ferramentas capazes de aumentar a segurança das transações. A detecção de fraudes lidera as expectativas para os próximos anos, seguida por recursos que tragam informações sobre sustentabilidade dos produtos e sistemas inteligentes de reposição automática.
O levantamento também indica que sustentabilidade passa a influenciar de forma mais concreta as decisões de compra. Quase metade dos consumidores afirma já ter adquirido produtos produzidos com materiais reciclados, sinalizando uma demanda crescente por transparência e responsabilidade ambiental.
Para o varejo, o estudo aponta que competitividade deixa de depender apenas do preço. Logística eficiente, informações claras sobre entrega, pagamentos seguros, integração entre redes sociais e e-commerce e o uso responsável da inteligência artificial passam a compor os novos diferenciais de experiência valorizados pelo consumidor brasileiro.
Curadoria P&S
O relatório mostra que a próxima disputa do e-commerce não será apenas por preço. A vantagem competitiva estará na capacidade de integrar conteúdo, redes sociais, logística, inteligência artificial e transparência em uma experiência única. O consumidor brasileiro já demonstra maturidade digital suficiente para exigir conveniência sem abrir mão de confiança, sustentabilidade e previsibilidade. Para varejistas e marcas, isso significa que tecnologia e logística deixam de ser áreas de suporte e passam a fazer parte da estratégia comercial.