Energia mais competitiva: abertura do mercado pode destravar até R$ 121,3 bilhões
12.08.2026
Regulamentação do supridor de última instância avança e amplia a possibilidade de escolha do fornecedor de energia. Para a indústria, a discussão envolve custo, competitividade e capacidade de investimento.
O mercado brasileiro de energia elétrica entra em uma nova etapa de abertura justamente quando o custo da energia continua sendo um dos componentes relevantes do chamado Custo Brasil.
O governo assina nesta quarta-feira (12) o decreto que regulamenta o supridor de última instância (SUI), mecanismo considerado uma das condições para ampliar o acesso ao mercado livre de energia.
O movimento ganha importância diante de um dado do Movimento Brasil Competitivo (MBC): o Brasil deixou de capturar R$ 9,3 bilhões em ganhos de competitividade no setor elétrico em 2024, enquanto o potencial de economia estimado chega a R$ 121,3 bilhões.
O cálculo considera a possibilidade de aproximar os custos brasileiros dos padrões médios observados nos países da OCDE.
Energia é parte da equação industrial
O impacto do custo da energia vai muito além da conta mensal.
Para setores industriais eletrointensivos, energia representa uma variável diretamente relacionada à competitividade, ao custo de produção e à capacidade de investir.
Segundo o estudo do MBC, o ganho de competitividade capturado pelo país caiu de R$ 113,7 bilhões para R$ 104,4 bilhões entre 2023 e 2024, enquanto o preço da energia no mercado livre passou de R$ 354,90/MWh para R$ 438,50/MWh.
Na avaliação do MBC, ampliar a concorrência no setor é uma das formas de capturar parte desse potencial.
“O indicador mostra que o Brasil ainda possui espaço relevante para ampliar a competitividade do setor elétrico e capturar ganhos adicionais de eficiência. O país tem vantagens importantes na geração de energia limpa, mas ainda convive com custos estruturais que limitam parte desse potencial competitivo”, afirma Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do MBC.
O que muda com a abertura
A Lei nº 15.269/2025 estabelece uma expansão gradual do mercado livre.
Consumidores industriais e comerciais atendidos em baixa tensão poderão escolher seu fornecedor em até 24 meses. Para os demais consumidores, incluindo residenciais e rurais, o prazo previsto é de até 36 meses.
Na prática, a abertura amplia a possibilidade de consumidores compararem ofertas e escolherem de quem comprar energia.
É nesse processo que entra o supridor de última instância.
O mecanismo funciona como uma espécie de rede de proteção para consumidores que migrarem para o mercado livre, garantindo o fornecimento caso fiquem temporariamente sem um fornecedor.
A regulamentação do SUI, portanto, é uma peça importante para dar sustentação à expansão do mercado.
Energia e Custo Brasil
A discussão também está diretamente ligada à agenda de redução do Custo Brasil.
No documento Compromissos para um Brasil Competitivo, o MBC estabeleceu como meta reduzir em 10% os encargos da energia elétrica até 2030.
A meta faz parte de uma agenda mais ampla de redução de 25% do Custo Brasil em relação ao PIB até 2030.