IA na manutenção: o interesse é grande, a aplicação ainda é pequena
13.10.2026
Levantamento mostra que só 1% das empresas implementou completamente a inteligência artificial na manutenção. Congresso online em 5 de novembro discute como reduzir essa distância
A inteligência artificial está no radar das equipes de manutenção, mas ainda longe da rotina da maioria delas. O relatório "O impacto da IA na manutenção no Brasil", elaborado em 2025 pela Fracttal, empresa de software para gestão de ativos, aponta que apenas 1% dos respondentes já implementou completamente a IA nas operações. Outros 55% planejam fazer essa integração.
A distância entre intenção e prática revela um setor em transição: a indústria reconhece o potencial da tecnologia, mas ainda precisa superar barreiras técnicas e organizacionais para aplicá-la no chão de fábrica.
Da corretiva à preditiva
Para entender o papel da IA, vale lembrar as estratégias de manutenção. Na corretiva, o equipamento é reparado depois da falha, com paradas não programadas e custos imprevisíveis. Na preventiva, as intervenções seguem intervalos fixos de tempo ou de uso, o que reduz falhas, mas pode levar à troca de componentes ainda em boas condições. Na preditiva, a decisão se baseia na condição real do ativo, monitorada por variáveis como vibração, temperatura e análise de óleo.
É nessa última etapa que a inteligência artificial ganha relevância. "Muitos profissionais do Brasil e do mundo estão vivendo a transição entre modelos de manutenção predominantemente corretivos e abordagens mais preventivas e preditivas, orientadas por dados", afirma Priscila Rodrigues, gerente de Marketing da Fracttal.
Onde a IA entra na rotina
Na prática, as aplicações mais comuns da IA na manutenção incluem:
- Detecção de anomalias: algoritmos identificam desvios no comportamento dos equipamentos antes que se transformem em falha.
- Antecipação de falhas: a análise do histórico e dos dados de monitoramento ajuda a estimar quando um componente tende a falhar.
- Priorização de tarefas: com base na criticidade dos ativos e no risco de parada, as ordens de serviço podem ser organizadas de forma mais estratégica.
- Documentação e análise: registros de manutenção passam a ser analisados de forma mais rápida, apoiando decisões técnicas.
As barreiras para sair do plano
O baixo índice de implementação completa tem razões conhecidas. A IA depende de dados confiáveis e de histórico consistente, algo que muitas plantas ainda não têm organizado. A integração entre sensores, sistemas de gestão da manutenção e equipamentos antigos também exige investimento e planejamento. E há o fator humano: as equipes precisam confiar nas recomendações da tecnologia e saber quando questioná-las.
Por isso, o debate sobre IA na manutenção passa cada vez mais pelo papel das pessoas: como técnicos e lideranças analisam informações, priorizam tarefas e tomam decisões combinando dados e experiência de campo.
Congresso discute aplicações e retorno
Esses temas estarão em pauta na quinta edição do Congresso Heróis da Manutenção, organizado pela Fracttal. O evento é online e gratuito e acontece em 5 de novembro, a partir das 17h, com mais de cinco horas de programação.
A grade reúne mais de dez palestrantes do Brasil e do exterior, com profissionais de empresas como WEG, NSK Brasil, Noria/CMC, Engeteles, CII.IA, Techgnosis International, Magnexgroup, RIPP Consulting, Knar Global LLC e da própria Fracttal. Entre os temas estão gestão da manutenção e inteligência do ativo, o papel das lideranças na aplicação da IA, a antecipação de falhas e o retorno sobre o investimento na tecnologia.
Com apresentações em português e espanhol, o congresso será transmitido para Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, Peru, Venezuela e México. A organização espera mais de 15 mil participantes, que receberão certificado.
Inscrições: https://herois.fracttal.com/pt-br/?utm_source=PR&utm_medium=pr_fracttal_congresso_herois_2026&utm_campaign=pr_fracttal_congresso_herois_2026
Com informações da Fracttal.