Indústria, varejo e logística ainda estão no estágio inicial da IA aplicada às finanças
03.11.2026
Estudo com mais de 300 executivos aponta que 90% das áreas financeiras desses setores utilizam inteligência artificial de forma individual e sem padronização. Em tecnologia e SaaS, 74% já alcançaram o segundo nível de maturidade.
A adoção da inteligência artificial nas empresas avança em ritmos diferentes conforme o setor e a área de atuação. Na indústria, no varejo e na logística, a tecnologia ainda tem presença limitada nos processos financeiros: nove em cada dez áreas dessas empresas permanecem no estágio mais básico de utilização, caracterizado pelo uso individual e sem padronização. Em tecnologia e SaaS, por outro lado, 74% das áreas financeiras já alcançaram o segundo nível de maturidade.
Os dados fazem parte de um estudo conduzido pela Barte, em conjunto com Comp e Woba, entre junho e agosto de 2026. O levantamento reuniu respostas de mais de 300 executivos e profissionais das áreas de finanças, recursos humanos e facilities.
A pesquisa utilizou uma escala de cinco estágios para avaliar a maturidade no uso da inteligência artificial. No primeiro nível, a tecnologia é utilizada individualmente, sem processos estruturados. No segundo, começa a ser incorporada de maneira mais organizada. Os estágios seguintes representam níveis crescentes de integração, gestão e capacidade de aprendizado dos sistemas a partir dos resultados de suas próprias decisões.
Nos setores com operações predominantemente físicas, uma das principais dificuldades identificadas está na conciliação bancária, atividade que ainda demanda trabalho manual em muitas empresas. O fechamento financeiro também aparece entre os processos que apresentam oportunidades de automação.
Para Raphael Dyxklay, presidente da Barte, a dificuldade está em transformar o uso individual da tecnologia em parte integrante dos processos corporativos.
“As empresas colocaram a IA na mão das pessoas antes de colocar a IA dentro do processo, e é aí que a maturidade emperra em qualquer área que se olhe. Nos setores com operação mais física, conciliação e fechamento ainda são trabalho manual. É justamente onde colocar a IA dentro do processo traz o maior ganho”, afirma.
A distância entre experimentar e integrar
Considerando todos os setores avaliados, o financeiro é a área que apresenta maior avanço entre as três analisadas. Ainda assim, apenas 11% das empresas chegaram ao nível 3, denominado pelo estudo como “sistema operacional” de IA. Outros 89% permanecem nos dois primeiros estágios, e nenhuma empresa alcançou os níveis 4 e 5.
O cenário também revela desafios em outras áreas corporativas. Em recursos humanos, 92% das áreas avaliadas não ultrapassam o primeiro nível nos testes objetivos realizados. Em facilities, 93% das operações ainda não medem os ganhos obtidos com a utilização da inteligência artificial.
O levantamento foi composto por três pesquisas independentes: a Barte avaliou a maturidade da IA em finanças; a Comp, em recursos humanos; e a Woba, em facilities. As empresas utilizaram a mesma escala de cinco estágios para permitir a comparação entre as áreas. No recorte de recursos humanos, a Comp excluiu deliberadamente seus próprios clientes da amostra.
Os resultados apontam para um desafio que vai além da disponibilidade de ferramentas: incorporar a inteligência artificial aos fluxos de trabalho, estabelecer processos padronizados e medir os resultados obtidos. Para setores como indústria, varejo e logística, nos quais operações financeiras estão diretamente relacionadas a compras, pagamentos, recebimentos e gestão de custos, essa integração pode representar uma oportunidade de ganho de eficiência.
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