Investimentos na transição energética atingem US$ 2,3 trilhões e entram em nova fase, aponta BloombergNEF

Investimentos na transição energética atingem US$ 2,3 trilhões e entram em nova fase, aponta BloombergNEF

12.03.2026

A transição energética global atingiu um novo patamar em 2025. Segundo o relatório Energy Transition Investment Trends 2026, da BloombergNEF, os investimentos em tecnologias de baixo carbono chegaram a US$ 2,3 trilhões, um recorde histórico e crescimento de 8% em relação ao ano anterior.

O levantamento mostra que, mesmo em um cenário de tensões geopolíticas, mudanças regulatórias e volatilidade econômica, o fluxo global de capital destinado à descarbonização segue consistente — sinalizando que a transição energética entrou definitivamente em uma nova fase de escala industrial.

Eletrificação acelera investimentos

O transporte eletrificado consolidou-se como o principal destino de investimentos, somando US$ 893 bilhões em 2025, crescimento de 21%. A expansão da mobilidade elétrica e da infraestrutura de recarga reforça a eletrificação como um dos principais vetores da transformação energética global.

Outro destaque do relatório são as redes elétricas, que receberam US$ 483 bilhões em investimentos, avanço de 17%. A expansão e modernização das redes são consideradas essenciais para integrar fontes renováveis, atender à crescente demanda energética e sustentar setores intensivos em eletricidade, como data centers e indústria digital.

Já os investimentos em energias renováveis totalizaram US$ 690 bilhões, com leve retração de 9,5%, influenciada principalmente por mudanças regulatórias no mercado de energia da China. Ainda assim, o segmento permanece como um dos pilares da transição energética global.

Energia nuclear volta ao debate

O relatório também aponta que os investimentos em energia nuclear atingiram US$ 36 bilhões em 2025. Embora o valor represente uma leve queda em relação ao ano anterior, a crescente demanda por eletricidade firme e de baixo carbono recoloca a fonte nuclear no centro das discussões sobre segurança energética.

Para a Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN), os dados reforçam a necessidade de diversificação tecnológica na matriz energética.

“Para sustentar a expansão da eletrificação com confiabilidade e estabilidade, fontes como a energia nuclear desempenham papel estratégico. No Brasil, a expansão nuclear contribui para a segurança energética e para a redução de emissões”, afirma Celso Cunha, presidente da entidade.

Capital global continua em expansão

O relatório também destaca a evolução das fontes de financiamento para projetos de transição energética. A emissão global de dívida ligada ao setor chegou a US$ 1,2 trilhão, crescimento de 17%, enquanto o financiamento via mercado de capitais para tecnologias climáticas avançou 53%, após três anos de retração.

A BloombergNEF estima que o investimento médio anual global poderá alcançar US$ 2,9 trilhões entre 2026 e 2030, indicando que, apesar do recorde atual, o volume ainda precisará crescer para atingir as metas climáticas globais.

Brasil entre os dez maiores mercados

O Brasil aparece como o 9º maior mercado global em investimentos em transição energética, com US$ 38 bilhões aplicados em 2025, majoritariamente em fontes renováveis.

Segundo especialistas, o país possui uma oportunidade estratégica de ampliar investimentos em infraestrutura elétrica, diversificação da matriz e desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono.

“O volume global de investimentos mostra que capital existe. O desafio está em criar ambientes regulatórios estáveis e previsíveis capazes de atrair esses recursos”, conclui Cunha.