Logística se descentraliza e PMEs ganham novas rotas no e-commerce brasileiro
09.09.2026
Uso de pontos de recebimento cresceu 53% entre pequenas e médias empresas no primeiro semestre de 2026, enquanto novos mercados e categorias ampliam a movimentação do comércio eletrônico
A logística do comércio eletrônico brasileiro está ficando menos concentrada nos grandes centros. No primeiro semestre de 2026, pequenas e médias empresas ampliaram o uso de pontos de recebimento — os chamados PUDOs (Pick Up and Drop Off) — em 53% na comparação com o mesmo período de 2025. O modelo já responde por 39% das postagens realizadas pelas PMEs, segundo a quinta edição do Mapa da Logística, levantamento da Loggi.
O movimento mostra uma mudança importante na operação dos pequenos negócios. Ao utilizar estabelecimentos comerciais como pontos para postagem, retirada ou devolução, as empresas passam a contar com uma rede mais flexível, que pode se adaptar melhor à rotina de quem vende online sem necessariamente manter uma estrutura logística própria.
Menos São Paulo, mais Brasil
A descentralização aparece também na origem dos envios. Enquanto 67% dos pacotes das grandes marcas partem de São Paulo, entre as PMEs essa participação cai para 40%. Santa Catarina já representa 15% dos envios desse grupo, seguida por Paraná e Minas Gerais, ambos com 9%.
O dado ajuda a mostrar que o e-commerce brasileiro não está crescendo apenas a partir dos tradicionais grandes polos de consumo e distribuição. As pequenas e médias empresas estão ocupando outros mercados e, com isso, ampliando a necessidade de redes logísticas capazes de acompanhar essa pulverização.
Santa Catarina, aliás, registrou o maior crescimento nos envios no primeiro semestre, com 24%, seguida por Rio Grande do Sul, com 23%, e Paraná, com 17%. Distrito Federal e Ceará também apresentaram avanço, de 10% e 4%, respectivamente.
O móvel cresceu 105%. E a logística precisou acompanhar.
A expansão não acontece apenas geograficamente. O mapa também mostra mudanças nas categorias comercializadas pela internet.
Móveis e decoração cresceram 105% no período, enquanto alimentos não perecíveis avançaram 25% e óticas, 20%. O resultado indica que o comércio eletrônico continua incorporando produtos e segmentos que exigem diferentes modelos de armazenagem, embalagem, transporte e entrega.
É uma mudança que amplia a complexidade da operação. Vender pela internet é relativamente simples; entregar produtos diferentes, para regiões diferentes, dentro do prazo esperado pelo consumidor é outra história.
A logística começa a entrar na estratégia
O primeiro semestre também mostrou o impacto das datas comerciais. Nas semanas do Dia do Consumidor e do Dia dos Namorados, os grandes negócios registraram crescimento de 9% e 4% nos envios, respectivamente. No Dia das Mães, o volume permaneceu estável. Cosméticos e perfumaria esteve entre as categorias de maior destaque nas três datas.
Nesse cenário, planejamento deixa de ser apenas uma preocupação operacional. Antecipar picos, distribuir estoques, escolher pontos de postagem e garantir prazos passa a fazer parte da própria estratégia comercial.
17,5 milhões de quilômetros depois...
A dimensão dessa operação ajuda a colocar o cenário em perspectiva. No primeiro semestre de 2026, a operação logística analisada pela Loggi percorreu 17,5 milhões de quilômetros, conectando mais de 5 mil municípios nas cinco regiões brasileiras. Mais de um terço dos pacotes foi entregue em até dois dias, enquanto metade chegou ao destino em até três dias.
Por trás desses números existe uma transformação silenciosa: o crescimento do e-commerce está criando uma rede cada vez mais distribuída, na qual pequenas empresas, novos mercados e diferentes formatos de entrega passam a ter peso relevante.
Para as PMEs, isso significa que logística já não é apenas o último passo entre a venda e o consumidor.
Fonte: 5ª edição do Mapa da Logística, Loggi, com dados do primeiro semestre de 2026. O levantamento considera 22 mil empresas e envios realizados em mais de 5 mil municípios brasileiros.