QR Code avança na América Latina porque resolve o básico — e isso diz muito sobre o estágio dos pagamentos digitais

QR Code avança na América Latina porque resolve o básico — e isso diz muito sobre o estágio dos pagamentos digitais

15.01.2026

A consolidação do QR Code como principal meio de pagamento digital na América Latina expõe uma realidade que o setor financeiro conhece bem: inovação só escala quando funciona dentro das limitações reais do mercado. Os dados da 7ª edição da pesquisa Pulso – O futuro dos pagamentos digitais na América Latina, da Topaz em parceria com a Celent, ajudam a dimensionar esse movimento.

Segundo o levantamento, mais da metade das instituições financeiras da região já oferece pagamentos por QR Code, com forte presença em países como Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil. No caso brasileiro, o Pix transformou o QR Code em uma ferramenta cotidiana, incorporada à rotina de consumidores e pequenos negócios com rapidez rara no setor financeiro.

O que chama atenção não é apenas a taxa de adoção, mas o motivo dela. Em um mercado marcado por desigualdade de acesso à tecnologia, limitações de infraestrutura e forte presença de pequenos comerciantes, soluções que exigem pouco investimento inicial tendem a avançar mais rápido. O QR Code dispensa terminais dedicados, funciona em smartphones simples e reduz custos operacionais — fatores decisivos para sua disseminação.

A pesquisa também mostra que, onde o QR Code está amplamente disponível, os índices de satisfação das instituições financeiras superam os de outras soluções digitais, como carteiras eletrônicas e pagamentos por aproximação. Já tecnologias baseadas em NFC aparecem entre as menos bem avaliadas, o que reforça um ponto conhecido pela indústria: disponibilidade tecnológica e compatibilidade ainda são barreiras relevantes na região.

Outro aspecto relevante destacado pelo estudo é o papel das instituições financeiras tradicionais e do ambiente regulatório. Em mercados com apoio claro dos bancos centrais, a adesão ao QR Code se amplia rapidamente, indicando que simplicidade tecnológica e coordenação institucional seguem sendo pilares para a digitalização dos pagamentos.

Para o ecossistema financeiro — e para os setores industriais que dependem de meios de pagamento eficientes — esse avanço sinaliza que o futuro dos pagamentos digitais na região continuará sendo moldado menos por tendências globais e mais pela capacidade de adaptação à realidade local.