Quando microfissuras ameaçam a qualidade: testes e selagem tornam-se críticos para a segurança das embalagens alimentícias
20.01.2026
A integridade das embalagens é um fator decisivo ao longo de toda a cadeia produtiva e logística de alimentos. Selagens imperfeitas, microfissuras em filmes e falhas não detectadas nos testes podem comprometer a vida útil dos produtos, gerar reclamações e, em cenários mais críticos, resultar em recalls de alto custo.
Esse risco, muitas vezes invisível a olho nu, tem levado a indústria a rever seus métodos de controle de qualidade. Microvazamentos em áreas de selagem podem permitir a troca gasosa, a entrada de umidade ou a perda da atmosfera protetora, afetando diretamente a segurança e a estabilidade dos alimentos.
Segundo Brugger Feinmechanik, fabricante alemã especializada em sistemas de selagem térmica e testes de embalagem, a confiabilidade dos processos depende cada vez mais de medições precisas, reproduzíveis e documentadas. “Mesmo os menores vazamentos em selos podem comprometer significativamente a vida útil e a segurança do produto. Sem tecnologias de teste adequadas, esses riscos passam despercebidos”, afirma Maurice Dinkelbach, diretor-geral da empresa.
Da falha invisível ao prejuízo mensurável
Durante o ciclo de vida da embalagem — do envase ao ponto de venda — o material é submetido a esforços mecânicos, variações térmicas e manipulação constante. Pequenas falhas estruturais, como microtrincas em filmes flexíveis ou selagens inconsistentes, podem provocar a entrada de oxigênio, a saída de gases como CO? ou a perda de barreiras essenciais à conservação.
Além do impacto direto na qualidade do produto, outro desafio recorrente é a inconsistência nos resultados de testes ao longo da cadeia. Métodos distintos, equipamentos diferentes e critérios variados entre fabricantes, envasadores e laboratórios dificultam a comparação de dados e aumentam a incerteza operacional.
Nesse contexto, cresce a demanda por sistemas integrados de teste que permitam avaliar resistência mecânica, permeabilidade e qualidade da selagem de forma padronizada. Equipamentos de simulação de fadiga do material, análise de transmissão de gases e testes de resistência de solda passam a ser vistos não como etapas isoladas, mas como parte de um processo contínuo de garantia da qualidade.
Uma mudança de abordagem na indústria de embalagens
O avanço desses sistemas aponta para uma transformação importante no setor: o controle de qualidade deixa de ser reativo e passa a ser preventivo. Ao simular condições reais de transporte, armazenamento e exposição, os testes permitem identificar fragilidades antes que elas se tornem um problema no mercado.
Essa abordagem é especialmente crítica para os setores de alimentos e farmacêutico, onde a manutenção da atmosfera protetora, a esterilidade e a vida útil são fatores inegociáveis. A tendência é que fabricantes adotem cada vez mais processos integrados de teste e validação, capazes de gerar dados comparáveis, rastreáveis e confiáveis ao longo de toda a cadeia produtiva.
Mais do que equipamentos, esse movimento sinaliza uma mudança de mentalidade: qualidade de embalagem passa a ser tratada como ativo estratégico, diretamente ligada à segurança do consumidor, à reputação da marca e à sustentabilidade operacional.