Selos mecânicos inteligentes cortam consumo de água em fábrica de papel alemã
08.10.2026
Tecnologia libera água de resfriamento só quando o selo precisa e reduziu o consumo nas bombas equipadas a quase zero na UPM Nordland Papier
Na busca por eficiência hídrica, a indústria costuma olhar primeiro para os grandes processos. Mas uma fonte de consumo menos visível pode render ganhos expressivos: a água usada como barreira em selos mecânicos duplos de bombas. Foi nesse ponto que a UPM Nordland Papier, fabricante de papéis finos e gráficos, decidiu atuar em sua fábrica de Dörpen, na Alemanha.
A unidade já opera com cerca de quatro metros cúbicos de água doce por tonelada de papel, um índice considerado excelente para o setor. Mesmo assim, a empresa revisou o consumo de água de barreira nas diversas bombas equipadas com selos mecânicos duplos e instalou o sistema Smartflow IG, da John Crane.
Como funciona
Em vez de manter um fluxo contínuo de água doce, o sistema libera a água apenas quando o selo mecânico precisa de resfriamento. O controle é feito por um dispositivo de liga com memória de forma, ativado pelo calor, que reage automaticamente às mudanças nas condições de operação.
O equipamento dispensa fonte de energia externa e sistemas de automação, e pode ser instalado sem grandes modificações nas bombas existentes. Segundo o fabricante, a economia pode chegar a 180 litros de água doce por hora em cada bomba, dependendo da aplicação.
Resultados na fábrica
Nas primeiras instalações, o consumo de água de selagem nas bombas equipadas caiu a quase zero, sem perda de confiabilidade operacional. Além da economia direta, menos água consumida significa também menor volume de efluente para tratar e descartar.
"O Smartflow IG nos permitiu reduzir o consumo de água de selagem nas bombas equipadas até agora a quase zero, sem comprometer a operação confiável. Os resultados nos deram a confiança para adquirir unidades adicionais e começar a introduzir a tecnologia de forma mais ampla em toda a planta", afirma Peter Reisige, diretor de Serviços Técnicos da UPM Nordland Papier.
Com base nesses resultados, a empresa adquiriu novas unidades, que serão instaladas progressivamente. Como a economia se soma bomba a bomba, o ganho total cresce à medida que mais equipamentos recebem a tecnologia.
Pressão regulatória na Europa
O projeto acontece num momento em que a água ganhou peso na agenda industrial europeia. Cerca de 30% do território da União Europeia enfrenta escassez hídrica sazonal todos os anos, com pressão maior entre abril e setembro. A Estratégia de Resiliência Hídrica da Comissão Europeia estabelece que a eficiência no uso da água na UE melhore pelo menos 10% até 2030.
Para a indústria, o caso mostra que nem toda melhoria de eficiência exige grandes investimentos: equipamentos auxiliares, muitas vezes esquecidos nas auditorias de consumo, podem esconder economias relevantes quando somados em toda a planta.
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Com informações da John Crane.