TransJordano lança Corredor Verde com 100 caminhões a biometano em São Paulo
05.10.2026
Projeto conecta Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, combina R$ 140 milhões em financiamento e cria infraestrutura de abastecimento aberta a outras transportadoras
A TransJordano inicia em outubro a implantação do Corredor Verde, projeto voltado à ampliação do uso de biometano no transporte rodoviário de cargas. O primeiro abastecimento oficial será realizado em 7 de outubro, em Sumaré (SP).
A operação prevê uma frota de 100 caminhões Scania 6x4 movidos a biometano, incorporados gradualmente até dezembro. Os primeiros dez veículos entram em operação em 8 de outubro.
O corredor terá aproximadamente 450 quilômetros, ligando Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, na região do Porto de Santos. Os pontos de abastecimento serão implantados de forma escalonada: Sumaré em outubro, Ribeirão Preto em novembro e Cubatão em dezembro.
Com autonomia de até 700 quilômetros, os veículos poderão operar em um raio de aproximadamente 350 quilômetros a partir de cada ponto.
Infraestrutura aberta
Um dos pontos centrais do projeto é a decisão de manter os postos de abastecimento abertos a outras transportadoras. A proposta é enfrentar um dos principais obstáculos à expansão do biometano no transporte: a falta de infraestrutura disponível para abastecimento.
Os três pontos serão operados pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano.
O projeto recebeu R$ 140 milhões em financiamento do BNDES, sendo R$ 98 milhões provenientes do Fundo Clima e R$ 42 milhões do programa BNDES Máquinas e Serviços. Os recursos contemplam a aquisição dos caminhões, conjuntos adicionais de cilindros e a implantação da infraestrutura.
A parceria reúne ainda a Scania, responsável pelos veículos, e a Ultragaz, fornecedora do biometano.
Redução de emissões
Com a frota completa, a estimativa é de aproximadamente 5,5 milhões de quilômetros percorridos por ano com biometano, substituindo o diesel em parte relevante da operação da TransJordano.
Segundo verificação independente do Bureau Veritas, o projeto deverá evitar 6.486,35 toneladas de CO? equivalente por ano, o que representa uma redução estimada de 96% das emissões em relação à mesma operação realizada com caminhões a diesel.
A leitura da P&S
O aspecto mais relevante do Corredor Verde não está apenas nos 100 caminhões.
O projeto combina veículo, combustível, financiamento e infraestrutura, criando uma estrutura que pode ser utilizada por outras empresas do transporte de cargas.
Essa abertura é estratégica. Para o biometano ganhar escala, não basta aumentar a oferta de veículos: é preciso garantir onde abastecer e previsibilidade operacional.
O Corredor Verde coloca justamente essa infraestrutura no centro da discussão — e transforma a descarbonização do transporte em uma questão de logística, investimento e modelo de negócio, além de energia.
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