Transporte de cargas entra em alerta com avanço das novas regras do CIOT
11.06.2026
A entrada em vigor das novas regras do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) tem gerado preocupação entre as empresas de transporte rodoviário de cargas, especialmente aquelas que atuam com operações de carga fracionada. As mudanças ampliam o nível de fiscalização eletrônica e fortalecem a integração com o MDF-e e as validações ligadas ao Piso Mínimo de Frete, exigindo maior controle sobre informações operacionais e documentais.
Embora as novas exigências alcancem todo o setor, o impacto tende a ser mais sensível nas operações fracionadas, que envolvem múltiplos embarcadores, diversos destinatários e grande volume de documentos fiscais em uma mesma viagem. O cenário aumenta a complexidade operacional e gera dúvidas sobre o correto enquadramento das operações dentro das novas regras.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), Silvio Kaznodzei, o setor reconhece a importância da modernização regulatória, mas ainda enfrenta desafios relevantes durante a fase de implementação das novas regras. “Temos observado dificuldades pontuais relacionadas à estabilidade dos sistemas, à interpretação das novas exigências e à emissão do CIOT em situações de contingência. Esse cenário eleva o custo operacional e fragiliza a conformidade documental das empresas”, afirma.
Além dos questionamentos regulatórios, as transportadoras também precisam promover ajustes internos para atender às novas exigências. O cenário demanda revisão de procedimentos, treinamento das equipes, adequação dos sistemas de gestão e reforço dos controles documentais, aumentando a carga administrativa das operações em um momento já marcado pela pressão dos custos logísticos.
Outro ponto de atenção envolve o receio de aumento das autuações e penalidades durante o período de adaptação. De acordo com o sindicato, muitas empresas têm buscado orientação jurídica e técnica para reduzir riscos e garantir conformidade documental, adotando procedimentos mais conservadores enquanto o novo modelo é assimilado pelo mercado. “Nossa expectativa é que a atuação dos órgãos fiscalizadores tenha caráter orientativo neste momento inicial. As transportadoras estão se esforçando para se adequar e é fundamental que haja um ambiente de diálogo que permita corrigir eventuais inconsistências antes da aplicação de penalidades”, ressalta Kaznodzei.
Para o SETCEPAR, a modernização regulatória é importante para o fortalecimento do transporte rodoviário de cargas, mas o processo precisa ser acompanhado de previsibilidade, estabilidade sistêmica e orientações objetivas para o mercado. “A sugestão principal é a publicação de orientações técnicas claras sobre a classificação das operações, especialmente nos casos que envolvem carga fracionada, lotação e complemento. Também consideramos importante o aprimoramento dos sistemas e a criação de protocolos de contingência para situações de instabilidade, além de um período formal de adaptação com foco em orientação e correção antes da aplicação de penalidades”, conclui o presidente da entidade.