Energia nuclear volta ao centro da agenda energética global

Energia nuclear volta ao centro da agenda energética global
Usina Nuclear

26.01.2026

A mais recente edição do World Nuclear Outlook, relatório da Associação Nuclear Mundial, aponta um cenário de forte expansão da energia nuclear nas próximas décadas. De acordo com o estudo, as metas já anunciadas por governos ao redor do mundo podem elevar a capacidade nuclear global para cerca de 1.446 GW elétricos até 2050, superando a meta internacional de triplicar a capacidade instalada.

O movimento reflete uma mudança estrutural na forma como a energia nuclear vem sendo encarada. Mais de 50 países avançam atualmente com planos que incluem a extensão da vida útil de usinas existentes, a construção de novos reatores e a adoção de tecnologias avançadas, como os pequenos reatores modulares (SMRs). Nesse contexto, a fonte passa a ser tratada como um pilar estratégico para garantir segurança energética, estabilidade do fornecimento, preços competitivos e redução consistente das emissões de carbono.

O relatório também chama atenção para os desafios dessa expansão. Transformar metas em projetos concretos exigirá coordenação entre políticas públicas, marcos regulatórios, modelos de financiamento, cadeias globais de suprimento e formação de mão de obra especializada.

Para o Brasil, o cenário internacional traz reflexões importantes. Segundo a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), o país reúne condições técnicas, industriais e institucionais para ampliar sua presença no setor, mas ainda avança de forma cautelosa. Enquanto o mundo acelera investimentos e decisões estratégicas, o Brasil segue discutindo fundamentos do seu programa nuclear.

O avanço global da energia nuclear reforça a necessidade de alinhamento do planejamento energético brasileiro às tendências internacionais, considerando a fonte como parte relevante de uma matriz limpa, firme e de longo prazo.