Infraestrutura para IA supera software e redefine o mercado global de investimentos
23.07.2026
Corrida por data centers, energia e infraestrutura digital movimenta US$ 69 bilhões em fusões e aquisições e inaugura uma nova fase da economia da inteligência artificial
Durante anos, empresas de software dominaram o interesse de investidores e fundos de private equity. Mas a ascensão da inteligência artificial está mudando rapidamente esse cenário. Em vez das aplicações, o mercado passou a disputar quem fornece a infraestrutura necessária para que a IA funcione em escala.
Segundo dados da S&P Global Market Intelligence, somente em 2025 o mercado global de data centers movimentou mais de US$ 69 bilhões em operações de fusões e aquisições (M&A), distribuídas em 113 transações — um recorde histórico para o setor.
Na avaliação da Revista P&S, essa mudança representa uma inflexão importante no ciclo de investimentos globais. A infraestrutura digital deixa de ser apenas um suporte tecnológico e passa a ocupar posição estratégica nas decisões de crescimento de empresas, investidores e governos.
O interesse já não está restrito aos operadores de data centers. Fabricantes de painéis elétricos, fornecedores de sistemas de refrigeração, empresas de automação industrial, conectividade, segurança, eficiência energética e infraestrutura crítica passaram a integrar o radar dos grandes investidores.
Para Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners, o movimento lembra a histórica corrida do ouro.
"Nem sempre quem enriqueceu foi quem encontrou ouro. Muitas vezes foram aqueles que forneceram as ferramentas e a infraestrutura para a exploração."
IA amplia demanda por energia
O avanço da inteligência artificial também acelera uma transformação no setor energético.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda elétrica dos data centers deverá ultrapassar 1.000 TWh até 2030, mais que o dobro do consumo registrado em 2024.
Esse crescimento cria oportunidades para empresas que atuam com geração de energia, eficiência energética, infraestrutura elétrica e soluções para expansão de data centers.
No Brasil, o cenário é particularmente favorável. A matriz elétrica baseada majoritariamente em fontes renováveis coloca o país em posição estratégica para atrair investimentos voltados à infraestrutura digital da América Latina.
Além disso, levantamento da Arizton Advisory & Intelligence estima que o mercado brasileiro de data centers movimentou cerca de US$ 6,7 bilhões em 2025, consolidando o Brasil como principal polo regional para computação em nuvem e aplicações de inteligência artificial.
A nova corrida industrial
Para a Revista P&S, a disputa pela inteligência artificial vai muito além dos algoritmos.
Quem dominar infraestrutura, energia, conectividade e capacidade computacional terá vantagem competitiva na próxima década.
Mais do que uma tendência tecnológica, a IA está provocando uma reorganização profunda dos investimentos industriais, aproximando setores como energia, automação, manufatura, construção de infraestrutura crítica e tecnologia.
Se na última década o software concentrou a maior parte do valor criado, a próxima poderá ser marcada pelo protagonismo das empresas que tornam a inteligência artificial possível.