Indústria e universidade conectam pesquisa e inteligência artificial para inovar na produção de cimento

Indústria e universidade conectam pesquisa e inteligência artificial para inovar na produção de cimento
Cimento Apodi aproxima indústria e universidade

21.10.2026

Parceria entre Cimento Apodi e Universidade Federal do Ceará transforma desafios industriais em projetos de tecnologia, com ganhos de produtividade e eficiência energética e novas pesquisas voltadas à descarbonização.

A aproximação entre indústria e universidade pode encurtar o caminho entre pesquisa acadêmica e aplicação tecnológica. Na Cimento Apodi, essa conexão tem sido utilizada para desenvolver soluções voltadas a desafios concretos da produção, combinando conhecimento acadêmico, engenharia e dados industriais.

Um dos resultados dessa estratégia é um sistema de inteligência artificial desenvolvido a partir de uma parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciada em 2019. O projeto nasceu de uma necessidade operacional: otimizar o funcionamento de um moinho de cimento na unidade do Pecém, no Ceará.

Durante 12 meses, engenheiros da empresa e estudantes de Engenharia de Software, Ciências da Computação e Engenharia de Produção trabalharam no desenvolvimento da solução, com apoio da área de tecnologia do Grupo Titan, acionista da companhia.

O sistema passou a analisar variáveis do processo produtivo para indicar configurações mais eficientes de operação. Segundo a empresa, a tecnologia evoluiu e atualmente acompanha 276 variáveis, processando mais de 2 milhões de combinações a cada 30 segundos. A solução também foi expandida para os moinhos da unidade de Quixeré.

Inteligência artificial aplicada ao processo industrial

De acordo com os resultados divulgados pela Cimento Apodi, a aplicação da inteligência artificial contribuiu para aumentos de até 13% na produtividade e de até 10% na capacidade instalada, além de reduções nos custos de produção e no consumo de energia, água e combustíveis fósseis.

A tecnologia também alterou a dinâmica de acompanhamento da operação. Com acesso a informações geradas pelo sistema, os profissionais podem atuar de maneira mais analítica, monitorando resultados e contribuindo para o aperfeiçoamento contínuo dos modelos utilizados.

O caso ilustra uma das possibilidades da indústria 4.0: utilizar dados operacionais para apoiar decisões de processo e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis. Também evidencia o papel das universidades no desenvolvimento de soluções que exigem conhecimento técnico, acesso a dados reais e validação em ambientes produtivos.

Novos projetos aproximam pesquisa e descarbonização

A parceria com o meio acadêmico também se estende à identificação de novas alternativas tecnológicas. Em 2026, cinco projetos selecionados por meio de um edital conjunto com a UFC Inova foram apresentados no III Congresso Apodi de Sustentabilidade e ESG, realizado em agosto.

As propostas foram avaliadas pelo potencial de aplicação em áreas como sustentabilidade, inovação e descarbonização da indústria cimenteira.

Entre elas, o projeto Ecolenha, que propõe transformar plantas aquáticas invasoras, como aguapé e taboa, em briquetes de biomassa para uso energético, ficou em primeiro lugar e seguirá para o programa de pesquisa e desenvolvimento da companhia. A próxima etapa prevê a elaboração de um plano de negócios, sujeito a avaliações técnicas e financeiras.

A iniciativa busca investigar uma alternativa parcial à lenha convencional e a outros combustíveis sólidos utilizados na indústria. Sua viabilidade, entretanto, dependerá das análises necessárias para avaliar desempenho energético, fornecimento de matéria-prima, custos e condições de aplicação industrial.

A fábrica como ambiente de desenvolvimento tecnológico

Nos últimos dois anos, a Cimento Apodi investiu mais de R$ 6 milhões em digitalização e inteligência artificial, dentro do programa Apodi 4.0. Entre as aplicações mencionadas pela empresa estão sistemas de visão computacional para prevenção de riscos em áreas de interação entre pessoas e máquinas, modelos de inteligência artificial para previsão da resistência do cimento e virtualização de sistemas.

A experiência demonstra como desafios da operação podem servir de ponto de partida para projetos de pesquisa aplicada, aproximando estudantes e pesquisadores das condições reais de produção.

Para a indústria, essa relação pode ampliar o acesso a competências técnicas e estimular o desenvolvimento de soluções ajustadas às necessidades do processo produtivo. Para as universidades, representa a oportunidade de trabalhar com problemas concretos, testar conhecimentos e aproximar a formação profissional das demandas do mercado.

O modelo também pode abrir caminho para novas aplicações e negócios, desde que os projetos avancem da pesquisa para etapas de validação, avaliação econômica e implementação.

Ao conectar conhecimento acadêmico, engenharia e necessidades industriais, a experiência da Cimento Apodi mostra que a inovação não depende apenas da aquisição de tecnologias disponíveis no mercado. Ela também pode surgir da colaboração entre empresas e universidades, quando desafios produtivos se transformam em oportunidades de pesquisa, desenvolvimento e aplicação.

#RevistaPSeS #Indústria #InovaçãoIndustrial #InteligênciaArtificial #Indústria40 #UniversidadeEIndústria #PesquisaEDesenvolvimento #TransformaçãoDigital #EficiênciaEnergética #CimentoApodi #UFC #UFCInova #TecnologiaIndustrial #Descarbonização #InovaçãoTecnológica